Análise: Washington não terá palavra final sobre clima

Michael R. Bloomberg

(Bloomberg) -- (O texto é uma adaptação de discurso feito na Câmara Geral de Comércio da China).

A China é a maior parceira comercial dos EUA e os EUA são o maior parceiro da China. E é verdade que os nossos países têm suas diferenças, mas sabemos que quando trabalhamos juntos podemos conseguir coisas extraordinárias. A cooperação entre os EUA e a China, no fim das contas, foi o que tornou o acordo climático de Paris possível.

Na esteira da eleição presidencial tem havido muita especulação sobre se os EUA cumprirão as promessas que o nosso país fez em Paris. Na semana passada, o principal negociador da China para o clima, o ministro Xie Zhenhua, disse que não importa o que os EUA farão, porque a China continuará comprometida a agir. Esse é um ato responsável tanto para o povo chinês quanto para o mundo.

Não posso antecipar a vocês o que o governo Donald Trump fará -- e, com toda justiça, eles precisarão de tempo para descobrir por conta própria. O que se diz na campanha eleitoral é uma coisa; implementar uma política específica na realidade é outra.

Eu espero que eles reconheçam a importância do problema. Mas estou confiante de que, independentemente do que acontecer em Washington, das regulações que o próximo governo adotar ou rescindir e das leis que o próximo Congresso aprovar, nós cumpriremos as promessas que os EUA fizeram em Paris.

O motivo é simples: as cidades, as empresas e os cidadãos continuarão reduzindo as emissões, porque eles concluíram -- assim como a China -- que é preciso fazê-lo, para seu próprio bem.

O sucesso dos EUA no combate à mudança climática nunca dependeu primordialmente de Washington. Basta ver que na última década o Congresso não aprovou nem um projeto de lei sequer que tivesse a mudança climática como alvo direto. Ainda assim os EUA lideraram o mundo na redução das emissões no período.

Esse progresso foi impulsionado pelas cidades, pelas empresas e pelos cidadãos -- e nenhum deles está diminuindo o passo agora. Pelo contrário: todos estão buscando formas de ampliar seus esforços. Prefeitos e líderes locais de todo o país estão decididos a levar adiante o combate à mudança climática -- porque é do interesse deles.

Com o tempo, à medida que mais americanos reconhecerem o que a mudança climática significa para suas famílias e o futuro delas -- ao verem o impacto cada vez mais severo de tempestades, secas e outros eventos climáticos --, eles exigirão medidas do governo federal também.

Até lá, prefeitos e outras autoridades locais vão assumir a liderança.

Em junho passado, em Pequim, durante a Cúpula EUA-China de Cidades para a Mudança Climática, anunciamos uma parceria entre o Pacto de Prefeitos e a Alliance of Peaking Pioneer Cities da China. Desde então, o Pacto de Prefeitos uniu forças com o Pacto de Prefeitos da União Europeia, transformando o novo Pacto Global de Prefeitos na maior e mais ambiciosa coalizão de prefeitos contra a mudança climática.

De fato, se o governo Trump realmente se retirar do acordo de Paris, eu recomendarei que os 128 prefeitos dos EUA que fazem parte do Pacto Global de Prefeitos busquem participar em seu lugar.

Washington não terá a palavra final sobre o destino do acordo de Paris nos EUA - a palavra final será dos prefeitos, juntamente com os líderes empresariais e os cidadãos.

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