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Farmacêuticas mantêm foco no combate ao Alzheimer após fracasso

Michelle Fay Cortez, Jared S. Hopkins e James Paton

(Bloomberg) -- O mal de Alzheimer é uma das principais causas de morte nos EUA e a única das cinco principais doenças para a qual não existe tratamento. As perspectivas pioraram ainda mais nesta semana após o fracasso de um medicamento experimental do laboratório Eli Lilly.

Contudo, pesquisadores e investidores estão clamando para que o setor não desista. E as empresas farmacêuticas, mesmo aquelas que já haviam abandonado a busca por um tratamento, estão respondendo com um novo comprometimento -- pelo menos por enquanto.

"Essa doença é tão devastadora, é muito importante que os cientistas sigam em frente", disse Rita Balice-Gordon, recém-chegada à chefia de neurociência da Sanofi. "Estou comprometida a defender ensaios clínicos bem elaborados e bem pesquisados, o que ajudará a empurrar esse campo como um todo para a frente."

A pesquisa do Alzheimer já consumiu mais de US$ 3 bilhões em investimentos ao longo de 27 anos somente na Lilly e o fracasso do tratamento solanezumab derrubou as ações da empresa na quarta-feira. O medicamento da Lilly, que ataca a proteína amiloide que forma placas no cérebro dos pacientes, não desacelerou o inexorável declínio mental deles, aumentando a crescente evidência de que encontrar uma forma de tratar a principal causa de demência do mundo pode ser uma tarefa ainda mais hercúlea do que os especialistas esperavam.

Medicamentos em desenvolvimento

Balice-Gordon, da Sanofi, não se ilude em relação ao esforço para encontrar um tratamento e prevê novos fracassos contra uma doença que já sofreu uma série de revezes. A companhia com sede em Paris está avançando gradualmente, e talvez buscando um parceiro, para um composto que está em fase inicial de desenvolvimento. Contudo, o compromisso da empresa é particularmente conveniente porque a Sanofi abandonou as pesquisas sobre o Alzheimer há alguns anos na gestão do ex-CEO Chris Viehbacher.

A Lilly também planeja manter sua pesquisa sobre o Alzheimer. A companhia com sede em Indianápolis, EUA, tem uma das linhas de projetos mais amplas do setor, com meia dúzia de medicamentos contra o Alzheimer em desenvolvimento, segundo o CEO David Ricks, que está entrando na empresa.

A Biogen, a Merck e a Roche Holding, todas com testes em estágio final -- conhecido como fase 3 --, ofereceram perspectivas similares, afirmando que continuam confiantes em seus programas clínicos e salientando que cada tratamento é desenvolvido para combater a doença de diferentes formas.

"Não achamos que isso -- por si só, um tratamento -- negue a hipótese do amiloide", disse Samantha Budd Haeberlein, chefe de desenvolvimento clínico para o Alzheimer da Biogen, que gerou resultados iniciais promissores com seu medicamento, o aducanumab. "É desanimador, claro, mas não muda nossa confiança para o futuro."

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