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Reticência da Rússia sobre corte é nova dor de cabeça da Opep

Grant Smith, Angelina Rascouet e Javier Blas

(Bloomberg) -- Durante meses a Rússia disse à Opep que sua opção preferida para um possível acordo sobre a oferta de petróleo seria congelar a produção, em vez de reduzi-la. O grupo está percebendo agora que Moscou estava falando a sério.

Enquanto a Rússia falava em congelamento, a Arábia Saudita e seus aliados esperavam em privado que Moscou aderisse a um corte se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo decidisse uma redução, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto, que pediram anonimato devido ao caráter sensível das negociações.

Diversos integrantes da Opep insistem em que a Rússia precisa cortar a produção para que o plano de reduzir o excesso mundial seja bem-sucedido. Faltando poucos dias para a reunião de ministros da Opep em Viena, em 30 de novembro, a perspectiva de um acordo parece menos provável.

Os dois pontos de vista certamente entrarão em conflito no dia 28 de novembro nas negociações entre os países da Opep e os produtores de fora do grupo. O resultado das conversações poderia definir se haverá algum acordo possível. Rússia, Azerbaijão e México vão participar das negociações, de acordo com pessoas com conhecimento dos preparativos. Outros países que participaram de reuniões anteriores, como Omã, não comparecerão desta vez.

Se a Rússia e outros produtores que não fazem parte da Opep não aceitarem a ideia de reduzir a produção, a Arábia Saudita poderia reconsiderar se continua com os cortes.

A participação da Rússia será "fundamental" na formação em um acordo, disse Emmanuel Ibe Kachikwu, ministro do Petróleo da Nigéria, em entrevista à Bloomberg Television. "A Rússia está tão interessada em fixar os preços quanto nós."

O ministro da Energia russo, Alexander Novak, disse na quarta-feira que uma delegação pretende se reunir com a Arábia Saudita e outros países na segunda-feira, mas disse que ainda era muito cedo para saber se a Rússia participaria da reunião formal de ministros da Opep em 30 de novembro.

É fácil entender por que os sauditas e outros integrantes da Opep se equivocaram em relação à Rússia. O país nunca descartou de forma explícita os cortes de produção e se limitou a dizer que preferia um congelamento nos níveis atuais -- um recorde de 11,2 milhões de barris por dia. No entanto, recentemente, a mensagem do Kremlin, pelo menos em público, foi inflexível.

"Não temos dificuldade em congelar a produção", disse o presidente russo, Vladimir Putin, no domingo após uma conferência regional, em declarações que alguns representantes da Opep interpretaram como uma rejeição aos cortes.

A Opep já tem muitos problemas sem a intransigência russa. As negociações preliminares em Viena nesta semana não chegaram a um acordo sobre as quotas de produção, deixando os maiores obstáculos para um acordo -- como tratar o Irã e o Iraque, produtores que ressurgiram recentemente - a serem resolvidos na reunião da semana que vem.

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