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Gestoras avaliam fôlego de títulos atrelados à inflação nos EUA

Garfield Reynolds e Wes Goodman

(Bloomberg) -- A disparada nas expectativas de inflação nos EUA após a eleição de Donald Trump à presidência distribuiu recompensas aos investidores que haviam apostado em títulos atrelados à variação dos preços ao consumidor. A Pacific Investment Management Co. (Pimco) vê mais ganhos adiante, enquanto a Morgan Stanley Investment Management não tem esta certeza.

As duas instituições entendem que Trump acelerou um movimento de revisão dos riscos de inflação que já havia começado. Para a Pimco, a cotação dos títulos do Tesouro protegidos da inflação (Treasury Inflation Protected Securities ou TIPS) ainda não reflete o aumento do custo de vida no ritmo observado no longo prazo.

Esses papéis deram retorno de 4,6% neste ano, enquanto os títulos convencionais do Tesouro proporcionaram ganho de 1,1%. Os TIPS apresentam desempenho superior ao do mercado como um todo pela primeira vez desde 2012.

"Há uma grande rotação agora na direção de hedges de reflação", disse Mark Kiesel, diretor de investimentos da Pimco, que comanda o maior fundo de renda fixa de gestão ativa do mundo e tem sede em Newport Beach, na Califórnia. "Os TIPS podem avançar muito mais", ele afirmou nesta semana em entrevista à Bloomberg Television. A instituição tem US$ 1,55 trilhão em ativos sob gestão e vem recomendando instrumentos de dívida atrelados à inflação pelo menos desde 2014.

A diferença entre os rendimentos dos TIPS com prazo de 10 anos e dos títulos convencionais de prazo similar se ampliou para 1,98 ponto percentual nesta semana, a maior em mais de dois anos. Esta taxa implícita de inflação indica a expectativa dos investidores para a inflação anual média ao longo do período de vigência dos papéis.

O rendimento do título nominal de 10 anos chegou a atingir pelo segundo dia 2,41%, nível que só era observado em julho do ano passado. O rendimento do título com prazo de dois anos atingiu 1,17% pela primeira vez desde abril de 2010. O mercado de títulos do Tesouro americano esteve fechado na quinta-feira devido ao Dia de Ação de Graças nos EUA.

"Investidores japoneses começam a pensar em aplicar com os rendimentos dos títulos do Tesouro americano neste nível, mas querem saber quando vai parar a tendência de alta", disse Kazuaki Oh'E, o responsável por renda fixa na CIBC World Markets Japan, em Tóquio. Ele afirma estar de olho em um rendimento de 2,5% para os títulos de 10 anos.

Há mais de quatro anos a inflação nos EUA fica abaixo da meta do banco central (Federal Reserve), de 2%. No entanto, a expectativa de aceleração dos preços começou a ganhar força em setembro, com a alta de preços das commodities. As promessas de Trump para os gastos com infraestrutura intensificaram o movimento.

Valor justo

A taxa implícita de inflação no TIPS de 10 anos, abaixo de 2%, fica aquém do valor justo de 2,3% ou 2,4% observado nos últimos 10 e 20 anos, segundo Kiesel. Isso significa que o rendimento do TIPS pode cair mais 30 ou 40 pontos-base, ele disse.

A taxa implícita de inflação caminha para registrar seu maior aumento trimestral desde o primeiro trimestre de 2012, mas a Morgan Stanley Investment Management acha que o avanço pode ter chegado ao pico.

"Os TIPS estão em um patamar a partir do qual é difícil subirem mais", disse Michael Kushma, diretor de investimentos para renda fixa global na instituição, que supervisiona US$ 406 bilhões e vem dando peso maior a esses papéis desde antes da eleição. "Sentimos que o risco de inflação vem aumentando. A ascensão de Trump ao poder acelerou isso, a ideia de que ele produzirá algum estímulo fiscal, o que vai elevar a taxa esperada de inflação ao longo do próximo ano."

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