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Para investidores, venda da libra depende de detalhes do Brexit

Lukanyo Mnyanda

(Bloomberg) -- Duas das maiores firmas de gestão de fundos da Escócia têm uma mensagem para o mercado de câmbio: é hora de dar um respiro à libra.

A desvalorização de 16 por cento da moeda desde que o Reino Unido decidiu deixar a União Europeia, em referendo realizado em 23 de junho, reflete a mudança da realidade econômica do país, segundo a Standard Life Investments e a Kames Capital. Isso significa que há poucos motivos para vender -- ou comprar -- agressivamente a moeda enquanto os detalhes da nova relação do Reino Unido com a UE e suas implicações econômicas não forem reveladas.

"Esta é uma série longa e lenta que durará uma década", disse Andrew Milligan, chefe de estratégia global da Standard Life, que administra cerca de 270 bilhões de libras (US$ 335 bilhões), em entrevista no escritório da Bloomberg em Edimburgo, nesta semana. "Os mercados precificaram o fato de que a economia do Reino Unido passará por um grande ajuste estrutural -- a libra nos mostra isso."

Após atingir o nível mais baixo em relação ao dólar desde 1985, ano de um acordo internacional para desvalorizar a moeda americana, a libra recuperou parte do equilíbrio e foi negociada entre US$ 1,21 e US$ 1,27 nos últimos 30 dias. Os prejuízos iniciais foram limitados porque a depreciação impulsionou as exportações e o estímulo monetário do Banco da Inglaterra respaldou a economia mais do que o previsto pela autoridade monetária.

A libra foi o "bode expiatório" dos mercados de câmbio após o referendo, disse Stephen Jones, diretor de investimento da Kames. Também com sede na capital escocesa, a empresa administra cerca de 51 bilhões de libras de seus clientes.

"Estou ligeiramente mais otimista a respeito agora", disse Jones, em entrevista conjunta com Milligan. "Não estamos vendendo a libra a descoberto, mas isso não é um sinal de apoio para a compra da moeda. Embora possamos nos confortar com o início de referências às políticas, os detalhes são inexistentes."

O governo ainda não iniciou o processo legal de dois anos para deixar a UE. A Corte Suprema do país decidirá se é necessária uma votação parlamentar, mas a primeira-ministra Theresa May reiterou o plano de dar o pontapé inicial até o fim de março. Só então o Reino Unido começará a desfazer mais de quatro décadas de acordos com a Europa continental, abrangendo de tudo, do comércio e leis trabalhistas a pesos e medidas.

Nesse ínterim, a saúde financeira do país está se deteriorando e a libra continua tendo o pior desempenho do mundo entre as principais moedas neste ano, juntamente com o peso mexicano, que foi afetado pela vitória eleitoral de Donald Trump nos EUA. Em seu primeiro comunicado importante sobre a economia desde o referendo do Brexit, nesta semana, o chanceler do Tesouro britânico, Philip Hammond, reduziu a projeção de crescimento para 2017 e delineou planos para mais empréstimos do governo.

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