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Para membro do BCE, é cedo para discutir retirada de estímulos

Piotr Skolimowski

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu tem um longo caminho pela frente para cumprir a meta de inflação, portanto é "muito cedo" para discutir a retirada gradual do estímulo monetário, afirmou Yannis Stournaras, que integra o Conselho Geral da instituição.

"É claro que a política monetária continuará acomodando até que a inflação esteja no nível desejável, que é 2 por cento ou pouco menos", disse Stournaras em entrevista a Guy Johnson, da Bloomberg TV, em Atenas nesta sexta-feira. "Ainda há uma longa distância desta meta."

A política monetária fez uma contribuição "bastante substancial" para uma situação na qual a inflação na Europa está subindo e o crescimento econômico melhora, ele disse. O BCE entregou seu objetivo, embora "às vezes os mercados sejam muito impacientes, querem entrega agora", na visão de Stournaras, de 59 anos, que também preside o banco central da Grécia.

O Conselho Geral precisa decidir em 8 de dezembro se estende um programa de afrouxamento quantitativo de 1,7 trilhão de euros (US$ 1,8 trilhão) para além do prazo final, em março. O presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou nesta semana que a recuperação permanece dependente do suporte monetário contínuo, mas algumas autoridades entendem que o BCE talvez tenha espaço para adiar decisões a respeito do futuro do programa de compra de títulos até o começo do ano que vem.

"O BCE tem uma postura de longo prazo, é preciso ter confiança no BCE", disse Stournaras. "Estamos fazendo o que é certo e no dia 8 vamos discutir a situação, a nova previsão e então decidiremos o que fazer."

Meta de inflação

A inflação em 12 meses na zona do euro atualmente gira ao redor de 0,5 por cento. O Conselho Geral não discutiu "de maneira alguma" se permitirá que a taxa supere a meta por algum tempo depois que for atingida, disse Stournaras. A variação de preços tem estado abaixo da meta há mais de três anos. Pela primeira vez uma nova projeção mostrará a expectativa para a evolução dos preços até 2019.

Falando especificamente sobre a economia da Grécia, Stournaras disse que o pior já passou e que a situação fiscal e a situação macroeconômica agora estão muito melhores do que há um ano. Embora os bancos estejam bem capitalizados e com boas provisões, a "grande tarefa" continua sendo a redução do saldo de empréstimos de recebimento duvidoso.

A Grécia recebeu três pacotes de resgate desde 2010. O país tem dificuldades para sanar a economia, que encolheu um quarto desde o início da crise. Uma segunda revisão do último pacote de resgate abrirá caminho para uma possível reestruturação da dívida do país, que o Fundo Monetário Internacional colocou como condição necessária para seu envolvimento futuro.

A última rodada de negociações em Atenas entre o governo e os auditores do resgate foi encerrada sem acordo entre as partes. No entanto, ainda estão de pé as condições para um acordo antes da reunião do Eurogroup (grupo que reúne os ministros das Finanças da zona do euro), em 5 de dezembro, segundo informação passada pelo porta-voz do governo grego, Dimitris Tzanakopoulos, a repórteres na terça-feira.

Stournaras afirmou que a Grécia está muito perto da "sustentabilidade da dívida" e que não considera tão severas as medidas necessárias para atingir esse objetivo. Haverá eleições em importantes integrantes da União Europeia no ano que vem, incluindo França e Alemanha. Assim, quanto antes houver uma decisão, melhor, ele disse.

"Os governos estão bem perto de encerrar a avaliação", disse Stournaras. "Portanto, minha esperança é que haja uma decisão final no dia 5."

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