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Startup assume desafio de popularizar voos supersônicos

Justin Bachman

  • Divulgação

Se você perguntar a um passageiro cansado de viajar se ele conhece os fundamentos da aviação moderna, você vai ver que ele vai se surpreender ao saber que os aviões comerciais continuam voando à mesma velocidade que na década de 1950. Considerando a magnitude dos avanços do setor aeroespacial no último meio século, além dos saltos tecnológicos em quase todas as outras áreas de atividade humana, parece razoável perguntar: Por que não podemos voar mais rápido?

Essa é a pergunta que motiva uma startup chamada Boom Technology, que diz que está na hora de popularizar as viagens de avião supersônicas - de maneira moderna. A empresa busca velocidade com uma ideia audaz: um avião de 45 assentos que se desloca a Mach 2,2 (2.321,6 quilômetros por hora), mais rapidamente que o extinto Concorde e certamente mais rapidamente que o padrão de 880 km/h, com passagens não mais caras do que as de uma viagem de ida e volta em classe executiva hoje, entre US$ 5.000 a US$ 10.000.

Contudo, muito antes de os passageiros se maravilharem por poderem atravessar rapidamente o Atlântico, a Boom terá que vender às empresas aéreas não apenas um avião tecnicamente revolucionário, mas também um avião capaz de atingir essas velocidades assombrosas com eficiência em termos de custo. O avião deve proporcionar lucros sólidos--retornos medíocres são proibidos- e isso, obviamente, é um motivo fundamental pelo qual o Concorde foi uma aberração e não o precursor dos voos supersônicos universais.

"Não tenho problemas para ver demanda por este avião", diz Marty St. George, executivo da JetBlue Airways e veterano do setor. "O problema é: é possível fabricá-lo e fazer com que os números funcionem?".

Atualização radical

Em resposta aos céticos, a Boom promove seu design como uma atualização radical do problemático Concorde, que foi operado por apenas duas empresas aéreas em 27 anos (a Braniff International e a Singapore Airlines tinham parcerias nas quais também vendiam passagens para os voos da Air France e da British Airways no Concorde). As empresas aéreas já não toleram mais equipamentos tão barulhentos e com tanto consumo de querosene de aviação, o que significa que os novos designs de motores devem utilizar o combustível com eficiência, gerar poucas emissões e fazer pouco barulho.

"É questão de fazer a parte econômica funcionar e depois criar o avião que dizemos que podemos criar", diz o cofundador e CEO da Boom, Blake Scholl, piloto e ex-desenvolvedor de aplicativos.

Além do desempenho do motor, outro problema para as empresas aéreas seria como vender um serviço supersônico exclusivo além das cabinas premium nos atuais aviões, segundo Alex Wilcox, CEO da JetSuite, um serviço de voos fretados e empresa aérea agendada com sede na Califórnia. O avião da Boom ficaria com a maioria ou com todos os passageiros de classe executiva e primeira classe de uma empresa aérea? Se for assim, o que acontecerá com esse espaço nas frotas de aviões atuais?

Apesar dos desafios enfrentados pela Boom, e são muitos, especialistas em aviação esperam que em algum momento, dentro de alguns anos, os desafios econômicos dos voos comerciais supersônicos sejam superados. "Odeio parecer cínico, porque na verdade eu quero ver esse avião", diz Wilcox. "Mas é simplesmente algo muito, mas muito difícil de fazer."

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