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Após Brexit e Trump, é vez da Itália manter mercados acordados

Chiara Albanese, Stefania Spezzati e Charlotte Ryan

(Bloomberg) -- Uma campanha hostil, uma votação e um resultado que muda tudo. É uma combinação que já virou rotina para operadores dos mercados de câmbio e renda fixa.

Após o choque com a decisão do eleitorado do Reino Unido de sair da União Europeia e com a conquista da Casa Branca por Donald Trump, o pessoal das mesas de negociação se prepara para outra noite em claro em 4 de dezembro, aguardando o resultado de uma votação que tem potencial para desestabilizar a ordem política. Desta vez é na Itália, onde uma votação sobre a limitação do poder do Senado se tornou um julgamento sobre a liderança do primeiro-ministro Matteo Renzi e uma potencial casca de banana no caminho dos investidores.

Madrugadas varadas no escritório já trouxeram muito aprendizado a Neil Staines, responsável pela negociação de ativos na gestora de recursos ECU Group, em Londres: "Menos atenção às pesquisas e mais atenção aos mercados, à liquidez e aos limites de tolerância em especial", ele ensina.

Desta vez, o foco estará mais no impacto e menos no choque. Todas as principais pesquisas feitas após um período de proibição de sondagens de duas semanas indicavam derrota de Renzi por margem estreita. A questão é o que acontecerá em seguida.

A volatilidade do euro em relação ao dólar se aproximou de patamares observados logo após a vitória de Trump, à medida que os mercados se ajustam à possibilidade de uma derrota de Renzi desencadear a convocação de eleições antecipadas e o avanço do Movimento Cinco Estrelas, grupo populista que defende um referendo sobre a participação da Itália na zona do euro.

Renzi, 41 anos, colocou em jogo seu futuro político ao sugerir que pedirá demissão se for derrotado. As primeiras projeções do resultado vão sair pouco antes da meia-noite, horário local.

"É preciso se perguntar quanto o mercado vai reagir a algo que já espera", disse Andy Soper, responsável pela negociação de opções de moedas do Grupo dos 10 da Nomura, em Londres. "A diferença desta vez é que talvez o resultado seja menos importante e o mais importante seja a margem de derrota ou vitória. São muitos os fatores desconhecidos."

O euro acumula queda de 3 por cento em relação ao dólar neste mês e os títulos do governo italiano perderam 2,5 por cento. O câmbio será negociado durante a madrugada. Os mercados de renda fixa e ações abrirão na manhã seguinte à votação. A maior preocupação dos traders é a liquidez nas primeiras horas: se haverá demanda e oferta suficiente de moeda quando os mercados da Ásia abrirem após o fim de semana.

London Capital Group e o departamento de renda variável do Saxo Bank estão entre as instituições que solicitarão depósitos maiores aos clientes antes da realização de operações, fortalecendo a proteção contra potenciais gargalos no mercado. Haverá mais gente trabalhando. A London
Capital recrutou plantonistas para a madrugada. Já a mesa de negociação de renda fixa do Citigroup organizou um turno bem cedo, informou Zoeb Sachee, responsável pela negociação de títulos públicos europeus.

"Estamos nos preparando para o pior", disse Laurence Crosby, chefe de negociação de ativos da London Capital Group. Existe potencial para a liquidez ser "particularmente ruim" quando forem divulgadas as primeiras projeções, mas o fato de haver mais gente a postos nas mesas de negociação tornará as condições "melhores do que em um dia normal", ele acredita.

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