Cemitério das startups está enchendo mais rápido nos EUA

Sarah McBride

(Bloomberg) -- Quedas no mercado de investimento em capital de risco estão abalando empresas iniciantes de todos os tamanhos nos EUA, mas as mais vulneráveis são aquelas que conseguiram captar em tempos mais otimistas, há apenas um ou dois anos.

O auge do chamado capital semente (primeira injeção de recursos) foi no primeiro trimestre de 2015, quando mais de 1.500 startups fizeram a primeira captação, de acordo com a firma de pesquisas PitchBook Data. Muitas dessas companhias estão ficando sem dinheiro e a maioria não conseguirá captar mais.

A morte faz parte da vida da maioria das startups, mas o cemitério está enchendo mais rapidamente neste ano. A expectativa é de mais pesar nos próximos 12 a 18 meses, à medida que empresas que acabaram de abrir fecham suas portas ou entram em coma por não terem acesso a capital, disse Gus Tai, sócio da Trinity Ventures. "A pressão é ainda mais intensa", ele explicou.

Metade das startups dos EUA pretende vender ações ou contrair empréstimos conversíveis nos mesmos termos aceitos em rodadas anteriores, calcula Jim Kim, sócio da Formation 8, que está levantando até US$ 200 milhões para um novo fundo de venture capital chamado Builders. Segundo ele, essas transações eram raras dois anos atrás, quando havia mais entusiasmo e quem investia em capital de risco tinha disposição para pagar prêmio. "É um ambiente completamente diferente agora", disse Kim.

Apesar do recuo recente, não falta dinheiro às firmas de capital de risco dos EUA. A expectativa é que registrem o maior volume de captações desde a época da bolha de 2000. As maiores do segmento estão levantando quantias maiores e sendo obrigadas a fazer apostas maiores em empreendimentos em estágio inicial, na esperança de impulsionar as taxas de retorno.
Accel Partners, Andreessen Horowitz e Founders Fund captaram mais de US$ 1 bilhão cada neste ano.

Enquanto Builders e outros fundos da área continuam fazendo investimentos menores, as firmas grandes estão elevando o investimento médio em empresas iniciantes. O valor médio nas rodadas iniciais que envolvem investidores profissionais atingiu US$ 15 milhões, quantia maior do que em qualquer momento dos últimos cinco anos, segundo o escritório de advocacia Wilson Sonsini Goodrich & Rosati, especializado em startups.

No entanto, o total de US$ 55,5 bilhões investidos em capital de risco nos nove primeiros meses deste ano ficou abaixo dos US$ 61,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, de acordo com a PitchBook.

O mercado para startups como um todo se recuperou nos últimos dois meses, mas ainda está 15 por cento abaixo do nível máximo do ano passado, segundo o índice Bloomberg U.S. Startups Barometer, que acompanha transações e injeções de venture capital.

Título em inglês: Many Boom-Time Startups Fizzle Out as Venture Capital Declines

Para entrar em contato com o repórter: Sarah McBride em São Francisco, smcbride24@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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