British American Tobacco mantém aposta no cigarro eletrônico

Sam Chambers

(Bloomberg) -- Ficar atrás da Philip Morris International na disputa por alternativas para fumantes além dos cigarros eletrônicos não é um problema para a British American Tobacco (BAT).

De acordo com Kingsley Wheaton, chefe de produtos de última geração da BAT, os cigarros eletrônicos, estabelecidos há mais tempo, são mais promissores que a tecnologia de esquentar sem queimar em que sua principal rival foi pioneira. A alta aceitação do aparelho de tabaco iQOS da Philip Morris em seu mercado de lançamento não vai ser facilmente reproduzida em outros lugares, disse ele em entrevista na quinta-feira.

"Estamos atrás da Philip Morris no caminho do aquecimento de tabaco? A resposta é sim", disse Wheaton. "Mas temos uma opinião diferente. A vaporização vai ser uma categoria maior mundialmente."

Mais de 1 milhão de fumantes passaram para o iQOS da Philip Morris desde que o aparelho chegou ao mercado em 2014. Por enquanto, a demanda mais forte foi no Japão, onde a Philip Morris teve uma vantagem inicial de dois anos em relação à BAT. Embora analistas do Exane BNP Paribas e do Wells Fargo afirmem que a fabricante do Marlboro tenha inventado o mais promissor substituto do cigarro, a BAT argumenta que a tecnologia de esquentar sem queimar só se tornará dominante em poucos países e que o Japão sozinho pode chegar a representar metade da demanda potencial.

"Os consumidores japoneses adoram usar tecnologia e a vaporização está proibida", disse Wheaton. "Esse consumidor é extremamente considerado socialmente e realmente se preocupa com seu impacto higiênico sobre os outros. Quando todos esses aspectos se somam, cria-se um verdadeiro caldeirão cultural de motivos que levarão o aquecimento do tabaco a fazer sucesso no Japão."

Discordância

As empresas de tabaco estão divididas quanto a como será o futuro do setor, avaliado em US$ 770 bilhões. O CEO da Philip Morris, André Calantzopoulos, disse que sua companhia pode deixar de fabricar cigarros tradicionais algum dia à medida que o mercado de produtos alternativos se firmar. Seus aparelhos iQOS sem combustão conquistaram uma fatia de 5 por cento do mercado japonês.

O aquecimento do tabaco será o principal motor de crescimento dos cigarros de última geração durante os próximos anos e a BAT está ficando para atrás na corrida para obter participação de mercado, de acordo com o analista da Jefferies Owen Bennett, que afirmou que os testes clínicos da BAT para provar que seus produtos implicam menos riscos à saúde que os cigarros não estarão concluídos antes de meados de 2018. A Philip Morris pretende apresentar suas alegações relativas à redução do risco à Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA até o fim do ano.

Bennett disse que a BAT pode ficar ainda mais atrás quando a Philip Morris lançar a segunda versão do iQOS, que imita ainda melhor o ato de fumar e é ativada acendendo a ponta do aparelho.

Esses problemas poderiam ser resolvidos com a aquisição da Reynolds American, um acordo proposto pela BAT em outubro para criar uma "carteira de alto nível de produtos de vaporização e aquecimento de tabaco". A Reynolds conta com seu próprio produto de aquecimento de tabaco, Revo 2, e já finalizou os testes clínicos.

"A BAT poderia sair de trás da Philip Morris e possivelmente chegar à liderança", disse Bennett.

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