Fundo da Finlândia com US$ 38 bi aumenta alocação nos EUA

Raine Tiessalo

(Bloomberg) -- Uma das maiores gestoras de ativos da região nórdica está ajustando a carteira para refletir a falta de confiança na Europa e a fé crescente nas perspectivas para a economia dos EUA.

O fundo de pensão finlandês Ilmarinen, que supervisiona cerca de 36 bilhões de euros (US$ 38 bilhões) em ativos, pretende ajustar seus investimentos para reverter o atual peso inferior ao proporcional em ativos dos EUA, segundo o presidente Timo Ritakallio.

A realocação afetará principalmente "instrumentos de renda fixa e ativos reais. Também ações, mas em menor extensão. Mas de modo geral, a ponderação em ativos dos EUA vai aumentar", afirmou Ritakallio em Helsinki. "Estamos monitorando a dinâmica geográfica e dando maior ênfase aos mercados dos EUA e nos distanciando da zona do euro."

Votações na Europa

Investidores começam a perder a calma diante de uma série de votações na Europa que talvez sejam decididas pela revolta do eleitorado após anos de austeridade e a crise de imigração agravada pela guerra na Síria.

Os eleitores da Áustria se recusaram a dar poder a um candidato populista, mas o referendo na Itália abalou a região. O primeiro-ministro Matteo Renzi pediu demissão na madrugada desta segunda-feira após ter sido derrotado no referendo que ele propôs para alterar a Constituição. O resultado pode levar a uma nova onda de caos político e financeiro na Europa.

A questão por lá é "a perspectiva muito ruim para a economia como um todo, porque essa taxa de crescimento de 1 a 1,5 por cento continuará por muito tempo", disse Ritakallio. "É um impacto muito negativo."

Por outro lado, Ritakallio espera que o dólar continue se valorizando no ano que vem, se os planos do presidente eleito derem certo. O ex-apresentador de TV vem falando sobre medidas de gastos que têm potencial para acelerar a economia americana após anos de governo democrata, que levaram o PIB a crescer mais de 2 por cento e o desemprego a recuar para menos de 5 por cento. De modo geral, as políticas de Trump sinalizam maior inflação e maior instabilidade no curto prazo, segundo Ritakallio.

Fundos de hedge

Fundos de pensão como o Ilmarinen estão ficando desesperados por retorno após anos de juros ultrabaixos. Neste ambiente, terceirizar as decisões de investimento para fundos de hedge é bem menos interessante do que já foi, de acordo com Ritakallio.

"Está cada vez mais importante olhar para o custo de diferentes instrumentos de investimento", ele disse. "Especificamente me refiro a gestoras de ativos muito caras, como fundos de hedge. Temos apenas 2 por cento dos ativos totais em fundos de hedge."

"A meu ver, o setor de fundos de hedge provavelmente terá dificuldades novamente no ano que vem porque a atual estrutura de custos deles é muito elevada, do ponto de vista do investidor, diante do ambiente de baixo retorno", disse Ritakallio.

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