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Idosos impulsionam crescimento do consumo no Japão

Connor Cislo

(Bloomberg) -- Enquanto muitos japoneses em idade ativa temem não ter dinheiro suficiente para a velhice, os idosos estão apoiando cada vez mais o gasto do consumidor no país e respondendo pelo pequeno crescimento do consumo observado nos últimos anos.

A situação é um paradoxo. No Japão, que envelhece rapidamente e é o país mais grisalho do mundo, o número crescente de idosos representa grandes desafios para o futuro, em particular para as contas públicas, porque o sistema previdenciário é submetido a uma pressão cada vez maior. Por enquanto, contudo, os mais velhos estão fazendo mais do que sua parte para manter o funcionamento da terceira maior economia do mundo.

Apesar de representarem mais de um terço da população, a população acima de 60 anos contribui com cerca de metade do gasto do consumidor, segundo dados do governo. O gasto dos idosos está compensando a queda do consumo entre as gerações mais jovens, segundo o UBS.

O primeiro-ministro Shinzo Abe esperava desencadear um "ciclo virtuoso" de lucros corporativos e aumentos salariais maiores que impulsionariam gastos domésticos mais fortes, mas isso não se materializou.

Um dos grandes motivos é a angústia relacionada ao envelhecimento, segundo o Goldman Sachs. O declínio do consumo nominal a longo prazo foi particularmente agudo entre os consumidores nas faixas de 40 e 50 anos, em parte devido aos salários estagnados e ao aumento dos prêmios do seguro social, afirmou o Goldman em relatório neste ano.

Quando o trabalhador se aposenta, seus hábitos de consumo mudam. Ele gasta mais com saúde, o que não é surpresa. Mas também aumentam os gastos com atividades sociais, viagens e reformas residenciais. Já o gasto com automóveis cai porque há menos idosos dirigindo.

Embora os idosos estejam gastando mais no agregado, isso não necessariamente significa que todos eles estejam vivendo bem. Muitos dependem da renda das pensões públicas, segundo Hideo Kumano, economista-chefe do Dai-Ichi Life Research Institute.

"O consumo dos idosos vai crescer em lugares como lojas de conveniência e de desconto. Eles não vão poder ir a lojas de departamento, hotéis de luxo e lugares desse tipo", disse ele.

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