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Análise: Melhor caminho para Brexit é doloroso para todos

(Bloomberg) -- O Reino Unido começará as negociações de seu futuro divórcio da União Europeia quando a primeira-ministra Theresa May iniciar formalmente o processo - no fim de março, segundo ela. E embora o conteúdo dessas negociações não esteja claro, a duração está: dois anos, o que não é nem de longe suficiente.

O Reino Unido e a UE precisam fazer um acordo de transição - um acordo temporário que dure o tempo que for necessário para elaborar um novo acordo integral. Muitos partidários do Brexit detestam essa ideia. Eles estão errados, e May precisa dizer isso.

O Canadá e a União Europeia demoraram sete anos para negociar o Acordo Econômico e Comercial Global (CETA, na sigla em inglês), que é relativamente simples. Um acordo com o Reino Unido deveria ser mais amplo e mais profundo e acordar os termos levará tempo. Se nada tiver sido assinado até março de 2019, o Reino Unido perderá de vez a preferência comercial da UE. Isso seria muito problemático, não apenas para o Reino Unido, mas também para o restante da UE.

Uma transição mais fluida deveria ser possível. A menos problemática seria uma transição semelhante ao modelo da Noruega. A Noruega é membro do mercado comum da UE, mas não é membro da UE, e contribui para o orçamento e aceita a livre circulação. O país não tem poder de decisão nas políticas da UE e acata as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia. Um acordo temporário desse tipo para o Reino Unido eliminaria quase completamente as dificuldades econômicas.

A ideia horroriza muitos defensores do Brexit. Eles veem isso como uma tentativa mal disfarçada de reverter a decisão do referendo e acusam May de não cumprir sua palavra de que "Brexit quer dizer Brexit". E eles teriam toda a razão - se o acordo se destinasse a ser permanente.

Para sermos claros, do ponto de vista de um defensor do Brexit o modelo norueguês ou algo parecido é pior do que ser membro comum da UE - combina as principais desvantagens (livre circulação, contribuição para o orçamento e a autoridade do TJUE) sem o benefício do poder de decisão nas políticas. Contudo, essa é justamente a razão pela qual ninguém o veria como um resultado final. As deficiências são tão evidentes que praticamente garantiriam que o acordo fosse apenas temporário - não um esboço do acordo final, mas apenas uma maneira de negociar sem a pressão de um prazo excessivamente curto.

Por essa razão, muitos na UE se unirão aos defensores do Brexit para se opor a um acordo de transição. Eles acham que ele tornaria a separação muito fácil. Uma sugestão para quem quer que a separação seja dolorosa: considerem as vantagens de uma separação ordenada para o restante da UE e observem o descontentamento de muitos no campo do Brexit. Aceitem as queixas deles como prova de que um preço foi pago.

Um acordo de transição exige muito de May. A ideia não se imporá por si só, nem no Reino Unido nem na UE. Mas ele deveria ser um resultado aceitável para todos - e é, sem dúvida, melhor do que a alternativa.

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