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Airbnb entra aos poucos na China e busca aliados locais

Olivia Zaleski e Lulu Yilun Chen

(Bloomberg) -- Quando o Uber se retirou da China no terceiro trimestre, parecia que essa tendência seria seguida pelas empresas dos EUA que tentavam conquistar terreno no país. A startup financiada por capital de risco mais valiosa do mundo perdeu pelo menos US$ 2 bilhões no país mais populoso do mundo em dois anos, de acordo com pessoas com conhecimento do assunto, tentando obter participação no mercado com corridas gratuitas. No fim, o Uber vendeu suas operações na China para a líder local, Didi Chuxing. Agora, a segunda startup mais valiosa dos EUA aposta que conseguirá se sair melhor.

Onde o Uber se apressou, o Airbnb foi com calma, construindo relações com líderes do setor na China e autoridades do governo. Uma parceria em 2014 com a Alibaba facilitou o pagamento de aluguéis de usuários chineses no Airbnb com Alipay, o equivalente local do PayPal. Um acordo de parceria com a Tencent, finalizado em fevereiro, integrou o Airbnb ao WeChat, o aplicativo de mensagem dominante da China. Neste ano, o Airbnb se juntou com a administração de quatro grandes cidades chinesas, inclusive Xangai e o centro tecnológico Shenzhen, em promoções ambíguas de turismo que, entre outras coisas, significam que o serviço é bem-vindo nessas regiões populares.

E, nesta quarta-feira, o Airbnb começou a armazenar dados relevantes para suas operações na China em servidores instalados no país, o que significa que as autoridades têm acesso a eles, um passo inicial para acatar uma lei nacional prevista para entrar em vigor no terceiro trimestre do ano que vem. "Nossa estratégia é trabalhar de perto com os órgãos reguladores e crescer com a ajuda de parceiros locais", disse o diretor financeiro do Airbnb, Laurence Tosi, que passa a maior parte do tempo administrando a nascente subsidiária chinesa da companhia. O Airbnb afirma que simplesmente está tentando trabalhar de acordo com os termos da futura lei e observa que dados não pertencentes a reservas chinesas continuarão fora do alcance do governo.

A adesão do Airbnb às leis chinesas de dados é menos problemática para seus negócios do que a falta de conhecimento do público local com o compartilhamento de casas, diz Arun Sundararajan, professor de Administração da Universidade de Nova York, especialista em pesquisa em mercados digitais. "A confiança necessária para entregar um apartamento a um desconhecido -- os obstáculos são maiores na China", diz ele.

Um dos investidores do Airbnb afirma que a companhia está mais preocupada com sua relação com Baidu, o maior motor de busca da China. As duas empresas estão negociando um acordo semelhante ao que o Airbnb fechou com a Alibaba e a Tencent, diz o investidor, que pediu anonimato porque essas discussões são confidenciais. Chegar a um acordo tem sido difícil por causa da emaranhada rede de alianças na China: Baidu detém uma participação considerável na Ctrip, grande financiadora da Tujia, maior rival do Airbnb no mercado chinês. A Ctrip e a Tujia informaram em outubro que vão fusionar seus negócios de aluguel de casas.

Tosi diz que outra prioridade é encontrar um CEO para Airbnb China. O Airbnb afirmou no ano passado que os investidores Sequoia China e China Broadband Capital ajudariam a definir um, mas a busca continua. "Como tudo relativo a nosso plano para a China", diz ele, "estamos agindo extremamente devagar, com cuidado e com critério."

Título em inglês: Airbnb Inches Its Way Into China as It Looks for Local Allies

Para entrar em contato com os repórteres: Olivia Zaleski em São Francisco, ozaleski@bloomberg.net, Lulu Yilun Chen em Hong Kong, ychen447@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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