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Operadores de alta frequência são menos bem-vindos no câmbio

John Detrixhe

(Bloomberg) -- Os negociadores mais agressivos e de atuação de mais alta frequência no mercado de câmbio estão mostrando sinais de cansaço. É uma indicação de que as plataformas estão conseguindo atrapalhar algumas estratégias baseadas em velocidade.

Especialistas em negociação eletrônica estão tirando espaço dos grandes bancos na negociação de moedas. No entanto, algumas estratégias - focadas em execução rápida e arbitragem de curto prazo - chegaram a um "ponto de saturação", de acordo com o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Paralelamente, plataformas adotaram "lombadas" para desacelerar as firmas mais perspicazes, acusadas de farejar as intenções dos operadores para apostar contra eles.

Esses fatores estão por trás da queda no movimento de compra e venda por fundos de hedge e firmas de negociação de ativos proprietários. O volume diário recuou de US$ 580 bilhões há três anos para cerca de US$ 390 bilhões, de acordo com relatório divulgado pelo BIS no domingo.

À medida que as estratégias agressivas perdem força, as firmas vão ficando confinadas à distribuição de preços para marcação a mercado, considerado um estilo de negociação mais passivo e potencialmente mais benigno. Segundo o BIS, firmas como XTX Markets e Virtu Financial avançaram em um território antes dominado somente por bancos.

"Essas firmas expandiram seus negócios e se tornaram grandes provedoras de liquidez nos mercados de câmbio", afirmou o relatório do BIS.

Segundo executivos de grandes firmas de negociação eletrônica, o dinheiro fácil já era. No mercado acionário dos EUA, por exemplo, a receita de traders de alta velocidade desabou de US$ 7,2 bilhões em 2009 para US$ 1,1 bilhão neste ano, segundo estimativas da Tabb Group.

Operadores que negociam ativos proprietários são particularmente prevalentes no mercado de câmbio à vista, no qual o volume caiu 19 por cento nos últimos três anos para US$ 1,65 trilhão. Estratégias de alta frequência costumam ser usadas no mercado de câmbio por este ser altamente padronizado, dando encaixe para os algoritmos. A negociação de derivativos cambiais para hedge corporativo e outros propósitos aumentou.

Algumas firmas de negociação eletrônica estão se transformando em formadoras de mercado tradicionais, de acordo com Paul Clarke, diretor de plataformas da Thomson Reuters. Neste ano, a plataforma de câmbio da empresa introduziu a randomização, também conhecida como lombada. A Bloomberg LP, dona da Bloomberg News, também opera uma plataforma de câmbio.

No entanto, muitos investidores ainda não estão convencidos de que ficou mais seguro negociar.

"Todo mundo ainda está alerta a esse tipo de negociação predatória", disse Michael O'Brien, diretor de negociação global da firma de fundos mútuos Eaton Vance. "É difícil dizer se houve mudança. Ainda é algo que me preocupa."

As firmas eletrônicas representam pelo menos 6 por cento da formação de mercado, segundo ranking da Euromoney Institutional Investor divulgado neste ano. Porém, o BIS afirma que essa parcela é provavelmente maior porque muitas não informam volumes. Embora costumassem negociar em plataformas anônimas, cada vez mais estão negociando diretamente com clientes.

"Os investidores está priorizando mais e mais relacionamentos diretos com firmas de negociação de ativos proprietários", disse O'Brien. "Os bancos não serão eliminados, mas certamente haverá concorrência com eles."

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