Para quem perdeu com bancos europeus, Ásia é a saída

Christopher Langner

(Bloomberg) -- Bancos europeus não foram uma boa aposta. Mas quem ignorou o noticiário sobre uma crise iminente na China e investiu em bancos asiáticos se deu bem neste ano.

O conselho do Banca Monte dei Paschi di Siena, o banco mais antigo do mundo ainda em operação, se reuniu no domingo e decidiu proceder com uma operação de troca de dívida por ações que sinaliza mais perdas para os detentores de títulos e ações da instituição fundada em 1472. O movimento tende a impactar ações de bancos na Itália e outras partes da Europa.

A novidade encerra um ano que os bancos europeus preferiam esquecer. O Bloomberg Europe Banks & Financial Services Index acumula queda de 5,8 por cento nos últimos 12 meses, enquanto o Bloomberg Asia Pacific Banks Index está praticamente inalterado.

Embora tenha apresentado um dos piores desempenhos da região, o indicador para a China vai terminando 2016 com alta de 2,6 por cento. Os bancos da Tailândia proporcionaram retorno de 22,4 por cento. Na Europa, nem tudo é sombrio. Ações do setor financeiro da Holanda e Noruega deram retorno de 25,2 por cento e 38,2 por cento, respectivamente. Mas as aplicações em bancos da Grécia, Itália, Irlanda, Portugal e Alemanha causaram perdas entre 22 por cento e 45 por cento.

Os problemas do Monte dei Paschi e outros, como Deutsche Bank e Royal Bank of Scotland, sugerem que o pior não passou ainda. Enquanto o balanço de empréstimos dos bancos europeus encolhe, os bancos asiáticos se destacam, especialmente os chineses. Além de o crescimento doméstico ainda ser robusto, os bancos chineses estão abocanhando uma parcela maior dos empréstimos globais. As instituições chinesas estão em décimo lugar no mercado bancário internacional, de acordo com o Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Este quadro implica riscos próprios, mas a expansão internacional também pode impulsionar as taxas de retorno com a depreciação do yuan e embalar as ações de outros bancos na região.

As ações de bancos asiáticos não estão imunes ao que acontece no Ocidente. A relação de 89 dias entre os índices Bloomberg de bancos da Ásia e da Europa ainda está em 37 por cento e chegou a 50 por cento neste ano. Portanto, com a continuidade das quedas na Europa, haverá reação na Ásia até certo ponto.

Porém, a dinâmica que move os papéis em cada região é bastante diferente e a maioria das instituições no Oriente não é tão alavancada e depende menos da captação no atacado.

Embora o falatório seja especialmente pessimista quando se trata da China e isso possa causar perdas em 2017, os investidores dos bancos asiáticos parecem estar do lado certo.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do conselho editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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