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Carne gordurosa, saborosa e cara revoluciona dieta japonesa

Aya Takada

13/12/2016 13h29

(Bloomberg) -- Seikou Sekimura aposta que os fãs da carne Wagyu japonesa -- uma das mais caras do mundo -- estão prontos para uma versão dietética da iguaria gordurosa que derrete na boca.

Na prefeitura rural de Miyagi, no norte do país, o fazendeiro de 64 anos diz que produz uma carne com poucas calorias, mas com o mesmo sabor dos cortes de primeira de 200 gramas que podem custar US$ 260 ou mais em restaurantes chiques. O truque não é reduzir a gordura -- a carne de seu gado também tem aquelas linhas brancas típicas do Wagyu que lhe dão mais sabor --, mas fazer com que seja mais fácil digeri-la.

Para garantir que a nova carne, chamada Kampo Wagyu, tenha o tipo certo de gordura, Sekimura cruzou o gado tradicional japonês com uma variedade ainda mais rara e alimentou-o com uma mistura de ervas para complementar as rações normais de grãos. O resultado é uma carne que, segundo ele, pode concorrer com um aumento projetado na importação de bife americano seduzindo consumidores de alimentos exclusivos em busca de opções mais saudáveis.

"À medida que a população do Japão envelhece, o gosto do consumidor vai mudando para a carne sem muita gordura", disse Sekimura em sua fazenda em Kurihara. Ele e seus sócios são donos de 1.200 cabeças de gado Kampo Wagyu e enviam cerca de 50 por mês a um matadouro local.

Carne rara

A maior parte da carne Wagyu no Japão já é incomum em comparação com a do gado convencional por ter o que se chama de ponto de fusão baixo, ou seja, ela pode se tornar líquida mais facilmente, e a gordura que se dissolve faz com que ela seja suculenta e saborosa. A carne também contém aminoácidos cujo consumo ajuda a reduzir a quantidade de gordura no corpo.

A carne do gado Kampo Wagyu tem um ponto de fusão ainda mais baixo (cerca de 21 graus Celsius) e quase o dobro de aminoácidos queimadores de gordura, como alanina e treonina, segundo uma análise feita pelo Instituto de Tecnologia Industrial da prefeitura de Miyagi.

Um motivo que explica grande parte da diferença, segundo Sekimura, é que ele alimenta seus animais com 14 tipos diferentes de ervas chinesas utilizadas frequentemente na Ásia para melhorar a saúde humana. Ele teve a ideia ao ver um avicultor que empregava folhas de amora como alternativa ao grão local para rações. A oferta local de grãos se estragou com a radiação depois do terremoto e do tsunami que provocaram em 2011 o colapso da usina nuclear Fukushima Dai-Ichi.

A produção agrícola japonesa está declinando à medida que agricultores idosos se aposentam sem ter sucessores, mas o setor de carne foi afetado com particular dureza pelo desastre de Fukushima há cinco anos. A descoberta de carne contaminada provocou uma forte queda dos preços. Sekimura disse que nunca pensou em desistir e agora projeta que será compensado por ter investido no desenvolvimento de uma carne Wagyu com menos gordura com apelo para consumidores em busca de alimentos mais saudáveis.