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Israel está aberto a pesquisas sobre uso medicinal da maconha

Gwen Ackerman

(Bloomberg) -- Como recém-nascidos em uma incubadora, as mais de 200 variedades de plantas nessas estufas controladas por computador, vigiadas por câmeras e protegidas por senha são monitoradas o tempo todo. Água, fertilizante e iluminação são ajustados conforme o necessário até o pleno florescimento. Elas só são colhidas depois que uma semana de testes mostra que elas estão prontas para sair desta instalação na zona rural ao norte de Israel.

Orquídeas? Nada disso. O cheiro penetrante da cannabis permeia as instalações, onde uma companhia chamada Breath of Life Pharma, junto com outras do setor local, tenta posicionar Israel como um centro global de pesquisa sobre o uso medicinal da cannabis. Os componentes ativos das plantas serão entregues a algumas das mais de 25.000 pessoas em Israel que sofrem de doenças como câncer, epilepsia e dor crônica. A Breath of Life Pharma projeta que o número de pacientes chegará a 200.000, criando um mercado doméstico avaliado em cerca de 1 bilhão de shekels (US$ 262 milhões).

Para crescer mais que isso, a companhia e outros pares pretendem buscar futuros consumidores em países onde ainda não é permitido realizar pesquisas desse tipo. Entre eles, os EUA, onde após as eleições de novembro 29 estados e o Distrito de Colúmbia autorizam o uso medicinal de maconha, apesar da proibição da lei federal. Projeta-se que o mercado médico crescerá dos US$ 5,8 bilhões atuais para US$ 11 bilhões em 2020, de acordo com a New Frontier Data em Washington, D.C., que fornece informações para a indústria mundial de cannabis.

O problema é que o governo do presidente eleito Donald Trump talvez seja menos tolerante com a legalização estatal que o governo do presidente Obama.

"A principal dúvida neste momento em relação à política da maconha é se Trump dará continuidade à abordagem de Obama de não interferir com o uso medicinal nem com o uso recreativo da maconha", disse Alex Kreit, professor da Faculdade de Direito Thomas Jefferson em San Diego. "Ninguém sabe qual será a resposta."

O CEO da Breath of Life, Tamir Gedo, afirma ter certeza de que mais empresas dos EUA vão querer fazer pesquisas sobre o uso medicinal da maconha no estado judaico, onde essa prática conta com autorização da lei federal nos últimos dez anos. De acordo com o Ministério de Saúde israelense, pacientes podem fumar a droga ou ingeri-la em forma líquida. Centros médicos, aprovados e licenciados pelo governo, distribuem flores, óleos e comestíveis.

"Isso vai nos ajudar em termos de trazer muitas empresas americanas, que querem realizar testes médicos, para Israel", disse Gedo. Ele diz que produz uma quantidade suficiente de componentes ativos de cannabis com padrão farmacêutico por ano para que 300 companhias testem produtos.

O governo israelense identificou a cannabis de uso medicinal como uma oportunidade econômica. O ministro da Agricultura, Uri Ariel, diz que seu ministério pesquisará formas melhores de cultivar cannabis e que respaldaria a exportação de maconha para uso medicinal produzida localmente, atualmente proibida por lei. O Ministério da Saúde, que conta com seu próprio departamento de cannabis de uso medicinal, está aumentando o número de licenças concedidas a produtores, médicos e pacientes para expandir o mercado local e também pretende apoiar os pedidos do setor para a exportação.

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