Bolsas

Câmbio

Oferta de petróleo em cidadezinha dos EUA ameaça planos da Opep

Javier Blas e Mark Shenk

(Bloomberg) -- Para a Opep, poucos inimigos são mais temíveis do que a cidadezinha de Cushing, Oklahoma.

Como os estoques em Cushing beiram um recorde histórico, os preços dos futuros de referência nos EUA têm problemas para avançar apesar dos cortes de produção prometidos e concordados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo, pela Rússia e por outros produtores. E os tanques de armazenamento provavelmente continuarão cheios, porque as refinarias deixam petróleo bruto em Oklahoma para diminuir seus gastos fiscais.

Cushing, que se orgulha de ser o "cruzamento de oleodutos do mundo", é o ponto de entrega do contrato de petróleo bruto West Texas Intermediate. Com tanques capazes de armazenar 77 milhões de barris de petróleo bruto, o suficiente para abastecer a França durante dois meses, este é o maior centro de armazenamento nos EUA.

O último recorde do local foi atingido em maio. Agora, após uma breve pausa, os tanques estão enchendo mais uma vez. Para as iniciativas encabeçadas pela Opep com o objetivo de dar impulso aos preços, este é um grande problema.

"Parte do que a Opep, e em particular os sauditas, quer fazer é se livrar do problema", disse John Kilduff, sócio do Again Capital, um hedge fund com sede em Nova York e foco na energia. "Para isso, vão reduzir as remessas para os EUA. Isso acabará afetando Cushing, mas não imediatamente".

Aos estoques somaram-se 1,22 milhão de barris na semana passada, após um salto de 3,78 milhões de barris na semana anterior, que foi o maior desde 2008.

Os fluxos de entrada elevaram os estoques para 66,5 milhões de barris, quase o recorde histórico de 68,3 milhões estabelecido em maio. Como a promessa de uma redução da produção aumentou os preços dos futuros, traders e refinarias foram encorajados a reter estoques, a última coisa que a Opep que ver.

O excedente em Cushing está pressionando os preços do WTI, que cederam o que haviam ganhado após o anúncio do acordo histórico entre a Opep e países de fora do grupo no fim de semana passado. O WTI caiu para menos de US$ 51 por barril na quarta-feira, frente a um pico de US$ 54,51 na semana.

A abundância também está levando o mercado cada vez mais para um contango, situação em que a oferta imediata é mais barata do que as remessas futuras. O desconto para o WTI entregue em janeiro se ampliava nesta quinta-feira para US$ 1,09 por barril a menos do que em fevereiro às 12h27 em Hong Kong. Em abril, quando os estoques estavam em um patamar similar, o diferencial chegou a US$ 1,55.

O impacto da redução de produção na Arábia Saudita vai demorar a ser sentido porque Riad diminuirá a produção a partir de janeiro, e o petróleo saudita demora cerca de 45 dias para chegar aos EUA após sair do Oriente Médio e contornar a África.

"A acumulação semanal de estoque em Cushing fará barulho até o fim do ano e criará uma oportunidade para explorar as condições de contango no curto prazo", disse Chris Kettenmann, estrategista-chefe de energia da Macro Risk Advisors em Nova York. "O relógio para as reduções coordenadas entre a Opep e países de fora do grupo começa a andar em 1º de janeiro".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos