Argentina buscará acordo comercial com Reino Unido após Brexit

Charlie Devereux

(Bloomberg) -- A Argentina estaria interessada em negociar um acordo de livre comércio bilateral com o Reino Unido, que está se preparando para deixar a União Europeia, em uma aproximação que poderia mudar a relação muitas vezes áspera entre os dois países.

A Argentina já vem trabalhando de forma bilateral com o Reino Unido em uma série de assuntos, mas antes de iniciar negociações comerciais é preciso que sejam resolvidos assuntos pendentes relacionados à longa disputa pelas Ilhas Malvinas, disse a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, em Buenos Aires.

"Vocês sabem muito bem que a nossa relação com o Reino Unido tem suas características especiais e nós precisamos resolver algumas coisas antes de avançar com uma negociação bilateral", disse Malcorra, nos bastidores de uma entrevista coletiva, na quarta-feira.

O Reino Unido também quer negociar seus próprios tratados ao deixar a União Europeia, informou o Departamento de Comércio britânico em comunicado enviado por e-mail. "Buscaremos usar como base nossos fortes laços econômicos com os parceiros comerciais. Isso inclui economias em crescimento da América Latina, como a Argentina."

Depois de três décadas de grandes tensões após a Guerra das Malvinas, as relações entre a Argentina e o Reino Unido mudaram para melhor desde que Mauricio Macri assumiu a presidência, há um ano, prometendo abrir a economia.

Em setembro, os dois países concordaram em trabalhar para encerrar as restrições sobre a exploração de petróleo e gás, o transporte marítimo e a pesca que afetam as Ilhas Malvinas, em vigor desde o conflito de 1982. Eles também concordaram em permitir voos da Argentina para as ilhas.

Na presidência de Cristina Kirchner, a Argentina e o Reino Unido trocaram farpas com regularidade a respeito de seus direitos sobre as Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos.

No ano passado, o governo de Cristina apresentou queixas criminais contra cinco empresas, que acusou de realizarem exploração de petróleo perto das ilhas sem a permissão do país. A Argentina invadiu as Malvinas em 1982, provocando uma guerra de 10 semanas que deixou 900 mortos somando ambos os lados, depois da qual o Reino Unido retomou as ilhas.

O Reino Unido era o terceiro maior importador de carne bovina prime da Argentina pela "Cota Hilton" em 2004. Mas as importações diminuíram para quase nada no período até 2014, segundo o Senasa, o órgão regulador sanitário da Argentina. O Reino Unido também foi destino de 10 por cento de todas as exportações de vinho da Argentina em 2015, o que o transforma no segundo maior importador de vinhos do país, segundo o Instituto Nacional de Vitivinicultura.

Driblando o Mercosul

Um possível acordo com o Reino Unido contornaria o Mercosul, que também compreende Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela, esta atualmente suspensa. Outros membros do Mercosul também buscaram flexibilizar as regras do bloco para assinar seus próprios acordos comerciais bilaterais com outros países.

Na quarta-feira, a Argentina assumiu a presidência do Mercosul e Malcorra afirmou que o bloco concordou em priorizar acordos de livre comércio com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio, o Canadá, o Japão, a Índia e a China.

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