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Analgésico OxyContin vira mina de ouro de laboratório chinês

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Com suas duras leis antinarcóticos e a dolorosa história da debilitante epidemia do ópio do século 19, a China pode não parecer um mercado promissor para o OxyContin, analgésico que está no centro do surto de dependência de opioides nos EUA.

Contudo, impulsionado pelas crescentes taxas de câncer e pelo envelhecimento populacional na China, o OxyContin está virando sucesso. E a empresa farmacêutica por trás da marca está dando impulso adicional às vendas por meio de uma abrangente difusão entre médicos e trabalhando com o mais poderoso dos aliados no país -- o governo chinês.

O OxyContin é vendido no país asiático pela Mundipharma (China) Pharmaceutical, companhia associada à Purdue Pharma, que tem sede em Stamford, Connecticut, EUA, e vende o opioide de ação prolongada nos EUA. Ambas fazem parte de uma rede mundial de empresas independentes de capital fechado de propriedade de trusts pertencentes à família Sackler, uma das mais ricas dos EUA, com uma fortuna de US$ 13 bilhões, segundo a Forbes.

Contudo, mesmo com o aumento do alcance dos analgésicos, a China enfrenta desafios ainda maiores para gerenciar o uso de opioides que acarretam riscos dentro de seu abrangente sistema de saúde estatal.

Diversas apresentações de capacitação médica de uma campanha de gestão da dor apoiada pelo governo, para a qual a Mundipharma oferece apoio organizacional, e algumas plataformas on-line da companhia ressaltam estudos estrangeiros de décadas que minimizam os riscos da dependência de opioide. Os programas alcançam dezenas de milhares de médicos locais, muitas vezes familiarizando-os com a pretensa superioridade do OxyContin.

A Mundipharma alega que não preparou os materiais, mas parece ter se beneficiado com o envolvimento com o programa de gestão de dor do Ministério da Saúde chinês. Estudos sobre dados de prescrições mostram que as vendas de OxyContin subiram consideravelmente em diversos hospitais chineses quando estes implementaram o programa. A Mundipharma afirma ter 60 por cento de participação do mercado chinês de terapias associadas à dor causada pelo câncer, segundo entrevista com o responsável da empresa na China postada em seu website.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda opioides fortes para a dor causada pelo câncer quando as alternativas menores são ineficazes e afirma que os médicos devem estar atentos a possíveis efeitos adversos.

"Médicos e pacientes certamente devem estar atentos, se utilizam opioides fortes, de que existe um pequeno, mas significativo risco de desenvolverem dependência a esses opioides", disse Nicolas Clark, diretor médico do departamento de saúde mental e abuso de substâncias da OMS em Genebra. "Se o câncer for curado ou a expectativa de vida do paciente for boa, essa dependência do opioide pode exigir tratamento separado."

A Mundipharma China afirmou em comunicado por e-mail que possui rigorosas políticas internas para garantir o cumprimento das leis chinesas e que trabalha de forma responsável para melhorar a gestão da dor. A companhia afirmou que os materiais de capacitação da campanha do governo foram preparados por especialistas contratados pelo Ministério da Saúde chinês.

A Comissão Nacional da Saúde e Planejamento Familiar da China, com a qual o Ministério da Saúde foi combinado em 2013, não respondeu aos pedidos de comentário.

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