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Ser afia apetite por aquisições após visibilidade com Estácio

Patricia Lara e Fabiola Moura

(Bloomberg) -- A Ser Educacional viu um interesse renovado em fusões e aquisições por parte das empresas de ensino concorrentes após perder uma guerra de ofertas pela Estácio Participações para a Kroton Educacional, disse o diretor-presidente da empresa, Jânyo Diniz, na sexta-feira, em entrevista no escritório da Bloomberg em São Paulo.

A Ser possui cerca de R$ 400 milhões (US$ 118 milhões) em dinheiro que poderia usar em possíveis acordos.

"Proposta pela Estácio deu visibilidade grande para a Ser Educacional.", disse Diniz. "Sempre fomos ativos em M&A. E algumas instituições que diziam que não venderiam no passado começaram a conversar."

Em julho, o conselho da Estácio aprovou a aquisição pela Kroton, avaliada em R$ 5,98 bilhões (US$ 1,76 bilhão). O acordo, posteriormente aprovado por acionistas da Estácio e da Kroton e atualmente em análise pelo órgão regulador antimonopolista do Brasil, cria a maior empresa educacional com fins lucrativos do mundo, com cerca de 1,5 milhão de estudantes, todos no Brasil.

"O mercado vai ficar muito mais complicado, pois vai ter um gigante", disse Diniz. A Ser, que tem sede em Recife, apresentou uma proposta concorrente pela Estácio e atualmente participa do processo como terceira interessada.

Para Diniz, as aquisições são uma boa maneira de lidar com a recessão mais longa do Brasil em pelo menos um século. A economia está em seu terceiro ano de contração, com uma queda projetada de 3,5 por cento em 2016, e os economistas esperam uma recuperação lenta em 2017, com um crescimento de menos de 1 por cento. Com isso, não deve haver crescimento do mercado.

"Em 2017, o mercado não cresce, mas as maiores vão elevar a base de alunos por aumento de market share, a exemplo do que aconteceu em 2016", disse ele. "Nós acreditamos que durante um período de crise ou recessão as pessoas deveriam voltar a estudar para se tornarem mais competitivas para o mercado de trabalho. Mas para que isso aconteça elas precisam de receita ou financiamento."

O Ministério da Educação do Brasil está estudando novas regras para o programa de financiamento estudantil do governo federal, conhecido como Fies. O governo, que procura formas de cortar custos, vem negociando com o setor educacional com fins lucrativos para chegar a um modelo mais sustentável, disse Diniz. "Eu não estou preocupado com as novas regras do Fies", disse ele. "Estou preocupado com a economia."

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