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Margens de lucro de Carlos Slim estão bem onde México queria

Andrea Navarro

(Bloomberg) -- Após oito trimestres seguidos de declínios, a margem de lucro da América Móvil no México mergulhou a um nível que o governo considera aceitável.

As margens do setor atualmente estão próximas daquelas que as empresas de telefonia obtêm em outras partes do mundo e os órgãos reguladores deveriam garantir que continuem nesse patamar, disse a vice-ministra de Telecomunicações, Mónica Aspe, em entrevista. A América Móvil, que é controlada por Carlos Slim, tem argumentado que a concorrência está prosperando e que os controles de mercado deveriam ser cancelados.

"Tínhamos margens extraordinárias, monopolísticas", disse Aspe, em seu escritório, na Cidade do México. "O que temos hoje está mais em linha com o setor globalmente, mas eles ainda estão saudáveis."

"Na verdade, é muito importante preservá-los", disse ela.

Embora sinalizem que o governo não pressionará por uma redução ainda maior das margens, os comentários oferecem pouco alívio para os investidores cujas ações têm mostrado abatimento devido à pressão regulatória sobre a companhia de Slim. A margem da América Móvil em relação aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização no México caiu para 33 por cento neste ano, contra 47 por cento em 2013.

A América Móvil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Entrada da AT&T

A reforma das telecomunicações sancionada três anos atrás forçou a América Móvil a compartilhar partes de sua infraestrutura de rede e impediu a companhia de cobrar das rivais para conectar suas chamadas. Essas mudanças atraíram a gigante americana de telefonia AT&T ao mercado e resultaram em uma queda de 22 por cento no custo do serviço de telefonia celular em um ano, segundo a agência reguladora do setor de telecomunicações.

As regulações pouco afetaram a participação de mercado da América Móvil no setor de telefonia celular, que caiu dos 70 por cento de seis anos atrás para 66 por cento. Mas a erosão dos lucros esmagou o preço das ações da empresa. Os papéis acumulam queda de 20 por cento desde o fim de 2014, quando a AT&T entrou no México.

Como vice-ministra das Telecomunicações, Aspe trabalha nas políticas do governo, enquanto uma outra agência, o Instituto Federal de Telecomunicações, implementa as regras do setor.

A Telefónica e a AT&T ainda reclamam do desequilíbrio do mercado e têm defendido novas regras para conter a América Móvil e beneficiar suas rivais.

A classificação das dívidas da América Móvil foi colocada sob análise para possível rebaixamento pela Moody's na semana passada. A agência de classificação citou as pressões competitivas e os desafios econômicos em toda a América Latina, especialmente no México, onde a companhia tem perspectivas limitadas de se recuperar no período futuro de 12 a 18 meses.

Título em inglês: Carlos Slim's Profit Margins Are Right Where Mexico Wants Them

Para entrar em contato com o repórter: Andrea Navarro em Cidade do México, anavarro30@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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