Trump teria prejuízo com venda de hotel para encerrar conflito

Hui-yong Yu e Ben Brody

(Bloomberg) -- O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, pode enfrentar prejuízo financeiro se optar por vender seu hotel em Washington agora, o que complica a possibilidade de se desvincular de forma clara da propriedade que se transformou em símbolo de seus conflitos de interesse ao redor do mundo.

Como presidente, Trump estaria de ambos os lados do balcão na locação do Trump International Hotel Washington D.C., de 263 quartos, que foi inaugurado em setembro em um edifício reformado do serviço de correios alugado do governo federal. Para que a Trump Organization recupere os US$ 212 milhões investidos na reforma, o comprador teria que pagar cerca de US$ 806.100 por quarto. Não está claro se a propriedade atrairia uma oferta tão elevada.

"A US$ 800.000 por quarto, certamente a unidade estaria na parte mais elevada do mercado em termos de valor dos hotéis de luxo" no distrito, disse Andy Wimsatt, diretor-gerente de corretora de hotéis e vendas de investimentos em Washington da CBRE Group, a maior corretora de imóveis comerciais. Como o hotel está aberto há apenas três meses, ainda não existem dados significativos sobre renda.

O hotel de Washington se destaca entre os muitos possíveis conflitos de interesse de Trump. O contrato de aluguel proíbe que um político eleito tire proveito do acordo, mas os caminhos para o desinvestimento não são simples. Especialistas em ética e parlamentares têm pressionado Trump a desvincular-se do hotel, mas mesmo que ele o venda, as possíveis armadilhas iriam desde a aceitação de um prejuízo financeiro até críticas a ofertas mais altas feitas apenas para conseguir um favor do próximo presidente.

"Ele e seus filhos veem esse hotel como a joia da coroa de seu portfólio e suportariam muitas críticas antes de vender com prejuízo", disse Tom Baker, diretor-gerente corporativo da corretora comercial Savills Studley.

Vendas de luxo

A Trump Organization afirma que investiu cerca de US$ 212 milhões -- cerca de 80 por cento do total emprestado pelo Deutsche Bank -- para reformar o histórico edifício dos correios, localizado a uma curta caminhada da Casa Branca pela Avenida Pennsylvania. O custo de Trump foi 51 por cento superior ao do plano apresentado por um grupo que incluía a Hilton Worldwide Holdings, que classificou as projeções de receita de Trump como "irreais" em uma manifestação de protesto, em 2012.

Patricia Tang, diretora de vendas e marketing do Trump International Hotel, preferiu não comentar. A equipe de transição do presidente eleito não respondeu a um e-mail em busca de comentário.

Os hotéis de luxo de Washington vêm atraindo um forte interesse dos compradores. Foram vendidos pelo menos quatro nos últimos 18 meses, alcançando entre US$ 451.200 e um recorde de US$ 1,3 milhão por quarto, segundo corretoras. Três das vendas ocorreram no elegante bairro de Georgetown, incluindo o Four Seasons, por cerca de US$ 1 milhão o quarto, e o Ritz-Carlton, por cerca de US$ 581.400 por quarto. O recorde foi estabelecido pelo Rosewood Washington, D.C., de 49 quartos, adquirido em abril por uma afiliada da empresa New World Development, de Hong Kong.

Título em inglês: Selling Trump's Washington Hotel to End Conflict May Mean Loss

Para entrar em contato com os repórteres: Hui-yong Yu em Seattle, hyu@bloomberg.net, Ben Brody Washington, D.C., btenerellabr@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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