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Uber ajuda a resgatar mercado de trabalho em queda do Chile

Laura Millan Lombrana

(Bloomberg) -- A força surpreendente do mercado de trabalho do Chile após três anos de crescimento lento e o salto inesperado na venda de carros em uma economia que, com exceção desses fatores, está moribunda podem ter algo em comum -- o Uber.

O aplicativo de transporte compartilhado com sede em São Francisco, que iniciou as operações no Chile em janeiro de 2014, conta com 46.000 motoristas no país latino-americano. O número se compara ao total de 116.000 pessoas que se tornaram autônomas no período de 12 meses até outubro, ajudando a evitar o aumento no desemprego projetado pelos economistas.

"Eu trabalhava na construção civil, mas demitiram a todos e eu não consegui encontrar outro emprego", disse Franco Santibáñez, que comprou um SUV por US$ 21.000 neste ano para o serviço de alto padrão do Uber, o Uber Black. "Comecei a dirigir enquanto procurava emprego, mas agora esse se tornou meu emprego."

Esta é uma história comum que explica em parte a demanda de consumo mais forte que a esperada, disseram os analistas do Citi Research Fernán González e Fernando Siqueira, em relatório do início deste mês. O índice de desemprego caiu para 6,4 por cento no período de três meses até outubro, contra 6,8 por cento no trimestre até o mês anterior, embora os analistas consultados pela Bloomberg não esperassem mudanças. Quase todo o aumento no emprego veio dos autônomos em um momento em que a construção civil, o ramo de seguros e o setor de mineração demitiram funcionários.

"Usuário frequente do Uber e do Cabify, este analista tem encontrado diversas pessoas que costumavam trabalhar em empresas de finanças, mineração, engenharia, varejo ou manufatura e que agora são seus próprios chefes dirigindo carros", escreveram os analistas do Citi. "Tudo isso talvez possa explicar por que as vendas de carros estão indo tão bem ultimamente."

O Citi Research informou que ninguém estava disponível para comentar essa reportagem.

Vendas de carros

As vendas de carros deram um salto de 21,1 por cento em novembro em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 28.730 unidades, ritmo mais rápido desde abril de 2013, segundo a Associação Nacional de Automóveis do Chile.

O salto nas vendas surge mesmo em um momento em que a economia do Chile enfrenta seu terceiro ano de crescimento econômico lento, com o número de trabalhadores assalariados inalterado em outubro em relação ao ano anterior.

"Temos visto um crescimento forte no número de usuários e motoristas desde março deste ano", disse Carlos Schaaf, gerente-geral do Uber no Chile. "Cerca de 18 por cento dos motoristas estão desempregados, por isso o Uber possibilita que eles tenham um ganha-pão até encontrarem outra coisa."

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