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O dia em que Trump foi a Moscou: oligarcas, Miss Universo e Nobu

Evgenia Pismennaya, Stepan Kravchenko e Stephanie Baker

(Bloomberg) -- A última aparição de Donald Trump em Moscou foi em novembro de 2013 para o concurso de Miss Universo, que lhe pertencia. Foi um evento reluzente, repleto de fotografias cuidadosamente coreografadas e de festas. Depois, ele recebeu outro convite, mais privativo: venha ao restaurante Nobu para se reunir com mais de uma dúzia dos principais empresários russos, como Herman Gref, CEO do Sberbank, banco estatal que é o maior da Rússia.

Gref, que foi ministro da Economia do presidente Vladimir Putin entre 2000 e 2007, organizou o encontro junto com Aras Agalarov, fundador da Crocus Group, uma das maiores empresas imobiliárias do país, dona da casa de shows onde estava acontecendo o concurso de beleza.

"Houve um clima bom na reunião", disse Gref em entrevista. "Ele é uma pessoa sensata, muito vivaz em suas respostas, com uma energia positiva e uma boa predisposição em relação à Rússia."

A reunião de duas horas com Trump no Nobu, a 15 minutos de caminhada do Kremlin, sugere que o círculo de contatos na Rússia do presidente eleito dos EUA é mais amplo do que o que foi informado anteriormente e inclui um confidente íntimo de Putin.

Os vínculos de Trump com a Rússia têm sido cada vez mais investigados, especialmente depois que ele descartou as acusações de agências de inteligência dos EUA de que o Kremlin dirigiu o hackeamento do Comitê Democrático Nacional para ajudar na campanha dele. Pedidos de uma ampla investigação no Congresso somaram-se às dúvidas sobre como as antigas ambições empresariais de Trump no país podem ter influenciado seu desejo de um vínculo mais próximo entre Washington e Moscou. A Trump Organization não respondeu a um pedido de comentário.

Não há provas que sugiram que o contato de Trump com Gref ou com qualquer outra das pessoas que ele encontrou em Moscou em 2013 tenha tido algo a ver com os acontecimentos recentes. Mas Gref é um personagem poderoso que se reúne regularmente com Putin, e o Sberbank está tão próximo do governo russo que os EUA impuseram sanções a subsidiárias do banco em 2014 em resposta ao conflito na Ucrânia.

Gref preferiu não dizer nada mais sobre Trump quando foi contatado na semana passada. O Sberbank foi um dos patrocinadores oficiais do concurso de beleza e muitos dos convidados no Nobu vieram do banco. O encontro possibilitou que Gref e Trump se conhecessem um pouco melhor, disse Agalarov.

Agalarov, dono da franquia Nobu em Moscou, fechou o restaurante para o evento. Comendo pratos de sushi, Trump e seus anfitriões russos conversaram sobre juros e taxas cambiais e sobre a possibilidade do fim da União Europeia, que Trump considerou improvável, disse Agalarov. "Conversamos sobre negócios, mas não sobre os negócios dele", relembrou.

No entanto, as conexões de Trump na Rússia continuam sob um manto de mistério. Após voltar a Nova York naquele mês de novembro, Trump disse à revista Real Estate Weekly que ele estava negociando com Agalarov e três outros grupos a construção de uma Trump Tower em Moscou.

"O mercado russo se sente atraído por mim", disse ele. "Quase todos os oligarcas estavam lá".

Agalarov disse que ele e Trump concordaram em fechar um acordo imobiliário durante aquela visita, mas que isso não deu em nada. Segundo conta Agalarov, ele deu uma volta com Trump em Moscou e eles inspecionaram distintos lugares.
"Sabíamos que ele tinha a ideia de construir uma Trump Tower" em Moscou, disse ele. "Nós concordamos, mas nada foi assinado."

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