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Análise: Preferência por jantar em casa assusta restaurantes

Shelly Banjo

(Bloomberg) -- As redes de restaurantes que estão tentando entender o motivo da queda do tráfego de clientes deveriam seguir a flecha do cupido.

A empresa controladora do Olive Garden, Darden Restaurants, revelou na terça-feira que o dia mais movimentado para compras de refeições que serão consumidas em casa é o Dia dos Namorados dos EUA, 14 de fevereiro -- uma confissão surpreendente que deveria causar medo em todo o setor.

O domingo do Super Bowl pareceria mais plausível como o maior dia para levar comida para casa, considerando-se o consumo generalizado de carboidratos característico dessa data. Mas o Dia dos Namorados? Como bem disse o editor da Nation's Restaurant News, Jonathan Maze: "Ãh?".

O fato de os americanos optarem por jantar em casa no dia do ano em que os casais são mais pressionados a sair é o sinal mais recente das mudanças drásticas nas preferências do consumidor. A tendência de comer em casa ajudou a reduzir em 3 por cento o tráfego em restaurantes no ano até agora em comparação com o ano anterior, após uma queda de 0,8 por cento em 2015, de acordo com a Black Box Intelligence.

As vendas em restaurantes com serviço completo, fundamentado na ideia de que os clientes passariam mais ou menos uma hora sentados para uma refeição, já enfrentavam tensões por causa do surgimento de restaurantes informais de comida rápida, como Chipotle Mexican Grill e Panera Bread. Eles oferecem alimentos mais variados e de melhor qualidade que as redes de comida rápida, mas preservam sua velocidade e praticidade.

Os restaurantes com mesas detinham 53 por cento do mercado há dez anos, e os restaurantes sem garçons ficavam com o restante, de acordo com a empresa de monitoramento do setor Technomic. Agora essas proporções se inverteram.

Além disso, os clientes cada vez mais evitam ir aos restaurantes, optando no lugar por buscar a comida ou solicitar entrega a domicilio, ou por preparar a refeição com kits em casa. Em parte por causa dessa tendência, em 2016 foi registrado o maior número de falências de grandes restaurantes de capital aberto e fechado desde 2011, segundo a New Generation Research.

Redes como Ruby Tuesday -- cujo CEO pediu demissão no começo deste ano --, Chili's, da Brinker International, e Applebee's, da DineEquity, estão lutando para reverter mais de um ano de queda nas vendas.

Talvez elas deveriam se inspirar no Darden, que começou a lidar com essas tendências primeiro, em 2014. Foi quando os acionistas ativistas pressionaram a empresa a vender sua rede Red Lobster, cujas vendas estavam despencando, e a reduzir custos simplificando o cardápio e as operações. Isso liberou dinheiro para investir em tecnologia digital para fazer os pedidos, dos tablets nas mesas ao cronograma dos funcionários, o que aumentou as vendas e as margens de lucro.

As vendas de comida para levar do Olive Garden aumentaram mais de 50 por cento nos últimos três anos, disseram os executivos na terça-feira, e agora equivalem a quase 13 por cento do total de vendas. O crescimento das vendas digitais e fora das instalações ajudou a dar confiança à companhia para reafirmar seu guidance de 2017, embora o restante do setor esteja lutando contra o que alguns consideram uma recessão dos restaurantes.

O próximo alvo da rede é a entrega a domicilio, que já vem sendo testada em alguns mercados.

Na terça-feira, os executivos elogiaram a destreza da Amazon.com com o comércio eletrônico e a entrega a domicilio e disseram que se perguntam constantemente "O que a Amazon faria?".

Esse é o instinto certo. Considerando as mudanças nos hábitos de consumo, os restaurantes deveriam sentir uma atração irresistível pelas capacidades de realização de pedidos e entregas da Amazon, assim como as lojas começaram a desejá-las. Quem disse que o romance morreu?

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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