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Venda de produtos halal na Europa vai além do frango

Laura Colby

(Bloomberg) -- Em visita recente à fábrica da BASF em Dusseldorf, na Alemanha, Abdullah Hito inspecionou as linhas de produção e se reuniu com gerentes para discutir sobre ingredientes para sabonetes, xampus e condicionadores. Hito não é engenheiro, nem funcionário do departamento de saúde; ele é um estudioso islâmico que certifica os produtos como halal -- ou seja, aptos para uso por muçulmanos praticantes.

"Nós controlamos tudo desde o primeiro passo, quando eles compram as matérias-primas, até o fim", diz Hito, que possui doutorado em estudos islâmicos pela Universidade do Kuwait. Os fabricantes "não têm permissão para mudar as matérias-primas ou os fornecedores sem nos informar."

A empresa dele, a Halal Quality Control, é uma das dezenas em toda a Europa que certificam produtos como halal. Os itens não podem conter álcool nem aditivos de origem animal e a produção precisa ser isolada de substâncias consideradas impuras segundo a lei islâmica, o que inclui até mesmo produtos de limpeza.

A BASF, que quatro anos atrás recebeu sua primeira certificação do tipo para ingredientes para cosméticos, atualmente produz 145 químicos considerados halal, por exemplo para produtos de limpeza facial, espuma de banho ou detergentes domésticos. Embora os maiores mercados da BASF para esses ingredientes sejam a Indonésia e outros países de maioria muçulmana, a empresa afirma que a demanda está crescendo no Ocidente.

Mesmo que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ameace restringir a imigração muçulmana para os EUA, empresas como a BASF, a rede de lanchonetes Subway e a grife DKNY estão recorrendo ao crescente poder de compra desse grupo.

Foie Gras

Os muçulmanos representam quase um quarto da população mundial -- 1,6 bilhão de pessoas -- e superarão os cristãos até o fim do século, segundo o Pew Research Center, de Washington. Os consumidores gastarão cerca de US$ 27 bilhões em cosméticos halal neste ano e as vendas poderiam subir para US$ 39 bilhões até 2019, estima a empresa de pesquisa Technavio.

"Este é um mercado que crescerá fortemente", diz Shafiq Shafi, diretor-gerente de uma consultoria chamada Muslim Marketing.

Os produtos halal vão muito além da tradicional carne de abate. Existe foie gras halal e vinho halal (sem álcool, é claro, e também com garantia de que não entrou em contato com nenhuma substância proibida). A empresa de varejo britânica John Lewis oferece um uniforme escolar com hijab e a rede de vestuário Uniqlo vendeu uma linha da designer Hana Tajima que incluiu hijabs estampados e tingidos.

Algumas empresas não dão muito destaque ao seu lado halal por medo de uma reação dos não-muçulmanos, diz Shelina Janmohamed, vice-presidente da agência de branding islâmico Ogilvy Noor e autora de "Generation M", um livro sobre muçulmanos da geração Y.

"O desafio é que o clima social e político torna difícil para as empresas" a difusão de que estão atendendo aos muçulmanos, diz Janmohamed..

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