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Buscas no Google refletem ano tumultuado nos mercados da Ásia

Narae Kim

(Bloomberg) -- Quem procura, acha na lista de buscas na internet de cada ano.

O Google compilou e divulgou as buscas de termos financeiros mais populares na Ásia em 2016. Os dados mostram a montanha russa enfrentada por algumas das maiores economias do mundo. Escândalos políticos localizados abalaram os mercados ao mesmo tempo em que pancadas externas aumentaram a volatilidade e intensificaram a saída de capitais.

Depois que US$ 5 trilhões em valor de mercado desapareceram do mercado acionário chinês em 2015, os investidores achavam que mereciam calmaria em 2016. Foi tudo menos isso. Da Coreia do Sul, veio o trio de escândalos no âmbito político, econômico e corporativo. Já a Índia decidiu eliminar 86 por cento do dinheiro em circulação. Se somaram a esses fatos a decisão do eleitorado britânico de sair da União Europeia em junho e a o choque com a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. Diante desse quadro, dá para entender porque a queda das reservas cambiais da China foi o assunto mais buscado sobre as finanças do país.

De acordo com dados do Google, estes foram alguns dos temas de maior interesse para as economias asiáticas em 2016:

1. O impacto de Trump sobre o comércio internacional

Após a vitória surpreendente em novembro, o nome do presidente eleito dos EUA foi um dos mais buscados no mundo todo. Mas havia uma clara distinção nas buscas relacionadas a Trump. Os países asiáticos expressaram maior interesse na Parceria Transpacífico (TPP), tratado comercial do qual Trump prometeu se retirar.

Sete dos 12 participantes do bloco são da região: Austrália, Brunei, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Cingapura e Vietnã. Todavia, o viés geográfico se contrasta com o pouco interesse na região pela política externa do presidente eleito. As buscas sobre o tema na Ásia responderam por aproximadamente 19 por cento das mesmas buscas na Europa.

2. Mercado acionário da China

Com o colapso épico de US$ 5 trilhões ao longo do terceiro trimestre de 2015, o pessimismo dominou o mercado acionário chinês no ano passado. Este ano foi relativamente mais calmo. As buscas globais sobre ações chinesas têm estado relativamente contidas desde o tombo de 23 por cento da bolsa local em janeiro, que desencadeou outra disparada nas buscas.

O foco passou para a aceleração das saídas de capital e a luta do governo chinês contra a depreciação da moeda local. Em novembro, as reservas internacionais da China, as maiores do mundo, sofreram a maior queda desde janeiro, para US$ 3,05 trilhões, após a moeda chinesa ter recuado para o menor nível em oito anos. Assim, as buscas sobre mercados de capitais desbancaram as buscas sobre ações.

3. A proibição do dinheiro na Índia

Após a decisão inesperada do primeiro-ministro indiano Narendra Modi de invalidar notas bancárias de 500 e 1.000 rúpias, o termo "desmonetização" se tornou o mais popular entre as buscas sobre temas financeiros no país. Também dispararam as buscas envolvendo "filas nos caixas eletrônicos" e "limites de saque" logo após o anúncio, em 8 de novembro.

4. Inflação

Em janeiro, o banco central da Indonésia baixou a taxa básica de juros pela primeira vez em 11 meses e desde então aplicou mais cinco cortes, tornando-se um dos líderes em flexibilização monetária na Ásia.

A decisão de janeiro interrompeu a desaceleração dos preços ao consumidor e provocou um salto nas buscas sobre "inflação". O termo também ficou brevemente popular na Índia, após a proibição das notas de valor elevado. A expectativa é que a retirada das cédulas, que levou à escassez de dinheiro em circulação, esfrie os preços ao consumidor.

5. Política doméstica

O ano foi difícil para muitos políticos asiáticos. A presidente sul-coreana Park Geun-hye sofreu impeachment neste mês devido a um escândalo de tráfico de influência. Na Índia, a retirada de dinheiro de circulação intensificou as críticas a Narendra Modi.

No mundo todo, as buscas dos usuários do Google refletiram grande interesse sobre Rodrigo Duterte, especialmente quando o candidato explosivo à presidência das Filipinas garantiu a vitória nas urnas em maio. Seus comentários polêmicos desde então, incluindo críticas ao presidente americano Barack Obama e à Organização das Nações Unidas, também aumentaram significativamente as buscas.

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