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Deutsche Bank reestrutura empréstimo a Trump antes da posse

Keri Geiger, Greg Farrell e Sarah Mulholland

(Bloomberg) -- Há vários anos, Donald Trump usa uma ferramenta poderosa quando negocia com bancos: sua garantia pessoal.

Agora, essa garantia - empregada para extrair termos melhores para centenas de milhões de dólares em empréstimos à Organização Trump - está no centro de uma delicada discussão dentro do Deutsche Bank sobre a reestruturação de um empréstimo. Por sua vez, o banco é alvo de diversas investigações pelo Departamento de Justiça dos EUA.

O banco tenta reestruturar parte de uma dívida de Trump de aproximadamente US$ 300 milhões, no esforço para reduzir qualquer conflito de interesse entre o empréstimo e a presidência, de acordo com uma pessoa a par do assunto. Normalmente, a retirada de uma garantia pessoal leva a termos mais severos. Mas nada nessa interação é normal. O procurador geral indicado por Trump vai herdar uma investigação do Deutsche Bank que envolve a negociação de ações para clientes ricos na Rússia - país com o qual Trump pretende melhorar relações - e talvez precise lidar com uma multa potencial de bilhões de dólares relativa ao papel do banco no mercado de títulos lastreados em hipotecas.

Sejam quais forem os termos do empréstimo reestruturado, eles vão refletir um relacionamento novo e complexo entre o maior banco alemão e seu cliente mais famoso. Para especialistas em ética, tudo isso é motivo de preocupação.

'Aparência terrível'

"Quando pessoas indicadas politicamente tomam decisões sobre bancos aos quais o presidente deve muito dinheiro, a aparência disso é terrível", disse Richard Painter, professor de Direito da Universidade de Minnesota que foi o principal advogado de ética do presidente George W. Bush. "O governo americano está lidando com questões regulatórias e criminais com grandes bancos o tempo todo e, se ele deve muito dinheiro a eles, pode haver incentivo para favorecer menos regulamentação e menos aplicação da lei aos bancos."

O Deutsche Bank se recusou a comentar. Alan Garten, advogado geral da Organização Trump, afirma que os empréstimos são modestos dentro do contexto do império multibilionário do presidente eleito e que o distanciamento da garantia pessoal não é significativo porque os empréstimos foram estruturados para se tornarem eventualmente dívida padrão, após a conclusão de projetos relacionados.

A corrida para reestruturar os empréstimos é só mais um capítulo no relacionamento conturbado entre Trump e o Deutsche Bank, uma das poucas firmas de Wall Street que ainda fazem negócio com um homem que há muito tempo é conhecido por buscar atenção na mídia e por ser um empreendedor imobiliário nada convencional, que não hesitou em processar o banco oito anos atrás.

O Deutsche Bank também concede empréstimos à família de Trump, incluindo seu genro Jared Kushner. Semanas antes da eleição, o banco refinanciou a maior parte da dívida de US$ 370 milhões envolvendo propriedades da empresa de Kushner em Manhattan que são alugadas para varejo.

O relacionamento de Trump com Wall Street começou várias décadas atrás, quando ele tentou erguer um império de cassinos em Atlantic City. Ele foi obrigado a renegociar com credores quando não conseguiu devolver bilhões de dólares em empréstimos. Seus principais credores na época eram Citibank, Chase Manhattan Bank e Bankers Trust. O caso deixou muitos banqueiros revoltados.

Em 1998, um pequeno grupo da equipe de imóveis do Deutsche Bank, liderado por Mike Offit, subscreveu um empréstimo de US$ 125 milhões para reforma do edifício de Trump que fica no número 40 de Wall Street. Trump apareceu no escritório de Offit quando sua reputação estava especialmente em baixa. A operação imobiliária do Deutsche Bank só existia há um ano e foi a única disposta a aceitar Trump, revelou Offit.

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