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Agricultores aplaudem Macri na Argentina apesar da recessão

Jonathan Gilbert

(Bloomberg) -- A popularidade do presidente da Argentina, Mauricio Macri, vem diminuindo desde que ele tomou posse há um ano, porque a terceira maior economia da América Latina entrou em recessão e a inflação disparou. Mas sua aceitação entre os agricultores do país continua mais forte do que nunca.

Isto acontece devido à grande diferença entre Macri e sua antecessora, Cristina Kirchner, na relação com o setor agrícola, que gera a maior fatia da receita em exportação da Argentina. Cristina criou fortes impostos à exportação para aumentar a receita pública e controlar os preços dos alimentos, ao passo que Macri está encorajando as exportações e trabalhando para desenvolver novos mercados.

"Antes, era uma guerra civil", disse Julio Reumann, 41, que cultiva soja e cria gado em 3.600 hectares perto de Intendente Alvear, uma cidadezinha no pampa argentino. "Nós éramos o inimigo do governo. Agora, sentimos que eles estão do nosso lado."

Crescimento

As exportações de grãos cresceram depois que Macri reduziu impostos. Investimentos agrícolas que esperaram durante anos estão aumentando, de tratores novos e terminais portuários a uma longamente esperada reativação do famoso setor de carne bovina do país. Embora o excesso global de muitas commodities reduza o benefício de algumas reformas, os agricultores conseguem tirar proveito. Um enfraquecimento do peso faz com que as colheitas e a carne vendidas no exterior em dólares gerem mais lucros no país.

Apesar de a reativação do crescimento estar demorando mais do que Macri previa, um dos pilares do plano para dobrar a produção de alimentos em cinco anos é expandir o livre comércio. O presidente eliminou um imposto de 23 por cento sobre as exportações de trigo e reduziu o imposto sobre soja, farelo de soja e óleo de soja. Ao mesmo tempo, o peso caiu 18 por cento neste ano - apenas o bolívar venezuelano caiu mais na América Latina -, por isso os agricultores ganham mais dinheiro vendendo no exterior do que para os compradores locais.

Piora da economia

Mas nem todos na Argentina estão comemorando. A inflação anual é de cerca de 40 por cento e a economia se contraiu durante quatro trimestres consecutivos, incluindo um que foi o pior desde 2012.

Mesmo assim, a reação do setor a Macri sinaliza otimismo. Os investimentos de agricultores para a temporada 2016-2017 totalizarão US$ 58 bilhões, cerca de 12 por cento a mais do que a média dos últimos anos, segundo a Sociedade Rural Argentina.

Reumann, o agricultor de Intendente Alvear, disse recentemente que gastou 1 milhão de pesos em um misturador de rações e um trator. "Este ano foi o melhor dos últimos seis ou sete", disse Reumann, relembrando quando bloqueavam as estradas em 2008 para protestar contra uma tentativa falida de Cristina de aumentar os impostos à exportação de grãos. "E no ano que vem, vamos investir ainda mais."

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