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Análise: Crise dos bancos da Itália cria uma oportunidade

Os Editores

  • Tiziana Fabi/AFP

(Bloomberg) -- O colapso iminente do terceiro maior banco italiano, o Monte dei Paschi di Siena, trouxe a crise bancária que há muito tempo se forma no país para o centro das atenções das autoridades europeias. Talvez seja um mal que veio para bem, oferecendo a melhor chance de se chegar a uma solução duradoura - e quem sabe até fortalecer a União Europeia.

Os apuros financeiros da Itália vêm se delineando há anos.

Corrupção, padrões ruins de empréstimo e duas pernas de recessão geraram mais de 350 bilhões de euros em créditos de recebimento duvidoso. Muitas instituições viraram zumbis incapazes de conceder o crédito novo e necessário para ajudar o crescimento econômico.

Um governo após o outro evitou enfrentar o caso, em parte porque as regras de resolução bancária na Europa exigem perdas aos credores, incluindo pessoas físicas que investiram em dívida bancária sem entender os riscos.

A situação levou a Itália a um ponto de inflexão.

A incapacidade do Monte dei Paschi de levantar capital privado mostra que alguns bancos não conseguem solucionar seus problemas sozinhos.

O Banco Central Europeu, que recentemente assumiu a responsabilidade de supervisionar as maiores instituições da zona do euro, está pressionando por medidas. E passada a distração do referendo de 4 de dezembro, o novo governo italiano talvez consiga arregimentar vontade política.

O que precisa acontecer? Os bancos do país precisam de mais capital novo do que conseguem captar sozinhos e de mais capital do que as regras da UE normalmente permitem que os governos concedam.

Os credores de fato precisam ser onerados ou vão concluir que sempre serão salvos pelos contribuintes. No entanto, mesmo contando com o que é factível nesse âmbito, a conta ainda não fecha.

Sendo assim, a Europa precisa permitir que a Itália invoque uma exceção às regras bancárias, permitindo que o governo nacionalize o Monte dei Paschi –e alguns outros– por tempo suficiente para reestruturá-los e reformar sua governança.

Paralelamente, o governo italiano deveria impor perdas aos credores, mas estabelecer um fundo para compensar investidores de varejo que foram enganados e compraram dívida arriscada de casas bancárias.

Por fim, a Itália deveria submeter centenas de outros bancos a uma ampla avaliação pelo BCE, que definiria quais bancos devem ser salvos e quais precisam fechar as portas.

Essas medidas podem ajudar a economia, que precisa de toda ajuda possível. Talvez essas medidas também abram caminho para completar a união bancária da zona do euro, que visa impedir que bancos problemáticos prejudiquem as finanças dos governos e vice-versa.

Provar que o BCE e a Itália podem agir de modo eficaz pode tornar outros integrantes da zona do euro (a Alemanha, em particular) mais receptivos ao compartilhamento de riscos por meio de iniciativas como o seguro mútuo de depósitos.

Sem mecanismos desse tipo, a moeda comum talvez não seja viável no longo prazo.

Reconhecidamente, é pedir muito e autoridades italianas e europeias até hoje não surpreenderam nessas questões. Este é um bom momento para ação mais decisiva. Seria pena desperdiçar uma crise dessas.

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