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Quer visitar Marte? Comece com nova missão à Lua: Bloomberg View

Adam Minter

(Bloomberg) -- Há 50 anos os EUA tinham a Lua para eles. A partir de 1969, quando a primeira das seis missões Apollo a tocou, parecia provável que os astronautas americanos fossem criar uma residência de longo prazo na superfície lunar. Em vez disso, os EUA enviaram sua última missão tripulada para a Lua em 1972 e não voltarão para lá tão cedo. Que pena: a Lua agora é um destino mais atraente do que nunca.

Outros países, vendo um novo potencial científico e comercial na Lua, começaram a preencher a lacuna da exploração, como a China, a Rússia e o Japão. Talvez o esforço mais ambicioso seja a "vila lunar" da Agência Espacial Europeia, que pretende ser um posto avançado internacional permanente na superfície lunar. Nas últimas semanas, o conceito ganhou um impulso considerável com o apoio de ministros das ciências e de empresas espaciais privadas da Europa.

Se os EUA quiserem se unir a eles e retomar seu histórico papel de liderança em exploração lunar, precisarão fazer uma grande mudança nas prioridades.

O programa espacial dos EUA atualmente está focado na "Jornada a Marte", um empreendimento extremamente caro aprovado pelo presidente Barack Obama em 2010. O plano (ainda nebuloso) é fazer os astronautas voarem ao redor do planeta vermelho -- e possivelmente pousarem lá -- na década de 2030, ignorando a Lua por completo. Contudo, como um número crescente de especialistas tem alertado, esse pode ser um equívoco caro. Faz mais sentido primeiro voltar à Lua, seja como destino de pleno direito, seja como estação intermediária na rota para Marte.

Para começar, uma missão do tipo seria uma bonança científica. Há alguns anos, a Nasa publicou uma lista de dezenas de objetivos de pesquisa que poderiam ser realizados na Lua, incluindo o velho sonho de instalar um radiotelescópio lunar capaz de explorar a história mais antiga do universo. Outra possibilidade seria realizar experimentos com projetos de mineração e de manufatura na baixa gravidade da Lua.

O sucesso no cumprimento desses esforços traria grandes benefícios. Os pesquisadores agora sabem que a Lua possui um tesouro em termos de matéria-prima, incluindo ouro, cobalto, paládio, platina, ferro e -- talvez o mais importante -- água. Várias empresas privadas planejam formas de extrair os metais para obterem lucro. Mas a água pode acabar sendo ainda mais valiosa: além de dar respaldo aos moradores de uma vila lunar, poderia ser usada como combustível barato para viagens a outros destinos no sistema solar.

Isso inclui Marte. Em 2014, um relatório do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA descobriu que voltar à superfície lunar "traria contribuições substanciais" para uma viagem a Marte. Em teoria, a Lua ofereceria um posto avançado fora do planeta para a realização de experimentos, para testar novos sistemas, para cultivar alimentos, para monitorar a saúde dos astronautas e para realizar outras pesquisas que poderiam tornar a perigosa viagem a Marte, com meses de duração, muito mais fácil e segura. A escala na Lua também seria muito mais barata que um voo direto: um estudo apontou que uma estação de abastecimento de combustível lunar poderia gerar uma economia de US$ 10 bilhões por ano, possibilitando que a Nasa utilize menos foguetes, e mais leves.

A vila lunar da Europa oferece um excelente ponto de partida. Segundo a descrição da Agência Espacial Europeia, a vila ofereceria uma plataforma aberta que poderia ser usada para uma série de missões, públicas ou privadas, a partir da década de 2030. De certa forma, seria semelhante à Estação de Pesquisa McMurdo, mantida pelos EUA há 60 anos na Antárctica. Ao longo das décadas, diferentes interesses e agências se somaram ao que começou como um pequeno posto científico avançado e o transformaram em uma próspera base de pesquisa que dá apoio a laboratórios de classe mundial.

A vila lunar certamente seria mais complicada. Mas a Nasa tem bastante experiência em colaborações espaciais complexas: ela lidera a Estação Espacial Internacional, que está em órbita desde 1998 e envolve agências de cinco países. Embora a EEI tenha previsão de ser descontinuada em 2024, o sistema de governança e o espírito de cooperação que a transformaram em sucesso poderiam ser transplantados para uma vila lunar, com outros países e companhias arcando com uma fatia maior do custo financeiro.

Não seria fácil, nem barato, mas este é o próximo passo natural para um país -- e uma espécie -- determinado a explorar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

Título em inglês: Want to Visit Mars? Start With a New Moon Mission: Adam Minter

Para entrar em contato com o repórter: Adam Minter Ny, aminter@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese dmilanese@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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