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Violações de dados do Yahoo não devem travar compra pela Verizon

Olga Kharif

(Bloomberg) -- É improvável que o segundo grande ataque hacker a contas de usuários do Yahoo! impeça a aquisição do gigante de tecnologia pela Verizon Communications em uma transação de US$ 4,83 bilhões. Os investidores e o público estão acostumados às revelações quase diárias de ciberataques.

Centenas de empresas americanas são vítimas de hackers todos os anos e, em muitos casos, as violações dos dados não prejudicam os lucros, nem afastam clientes por muito tempo. Geralmente, após o arrefecimento da ansiedade inicial, todos seguem adiante. Especialistas dizem que o mesmo vale para o Yahoo e a Verizon.

"Eu tendo a não ver essas ações de hackers como algo tão importante diante do quadro geral", disse Michael Mahoney, diretor-gerente sênior da Falcon Point Capital, que investe em empresas de telefonia celular. "Obviamente podem ser prejudiciais. Mas logo as pessoas esquecem do assunto."

Nos EUA, especialmente, as violações de dados continuam com tudo. Nos últimos anos, hackers se infiltraram nas empresas Sony, Target e Home Depot, no banco JPMorgan, no site de leilões eBay e na firma de seguros de saúde Anthem.

Houve quase 1.000 violações de dados nos EUA, incluindo a do Yahoo, só neste ano, segundo o Centro de Recursos sobre Roubos de Identidade (ITRC, na sigla em inglês). E no geral mais de 35 milhões de registros pessoais importantes, como números de seguro social e de passaportes e dados médicos e bancários, foram expostos em 2016.

Mas o caso do Yahoo é uma das maiores violações de dados em grande escala reportadas até hoje. A empresa com sede em Sunnyvale, Califórnia, informou que em 2013 os bandidos cibernéticos desviaram informações de mais de 1 bilhão de contas do Yahoo, incluindo endereços de e-mail, senhas de contas codificadas e datas de nascimento dos usuários, dados que permitem que os criminosos busquem informações pessoais mais sensíveis em outras partes na internet.

Esta foi a segunda revelação de uma grande violação de dados desde que a Verizon fechou a compra do Yahoo. Em setembro, a empresa de tecnologia revelou que os dados de mais de 500 milhões de usuários haviam sido hackeados em outro ataque sofrido em 2014 que teve patrocínio estatal.

"Há muitas violações e há diversas entidades que ainda sofrem esses tipos de violações", disse Eva Casey Velasquez, CEO do ITRC.

Desde a violação de dados da Target, em 2013, o sentimento do público mudou, disse Velasquez. "As pessoas sabem o que é uma violação de dados. Mas como esses ataques se tornaram muito onipresentes nos nossos diálogos, existe uma certa apatia."

E nem todas as violações são iguais, segundo Emily Mossburg, diretora do setor de serviços de risco cibernético da Deloitte & Touche. Nomes e informações de contas roubados não necessariamente provocam um "impacto maior".

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