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Madri intensifica esforços para combater poluição de veículos

Thomas Gualtieri

(Bloomberg) -- A fumaça expelida por carros velhos faz parte do legado da crise econômica na Espanha e a cidade de Madri tem intensificado os esforços para controlar a poluição causada pelo tráfego de veículos.

Na semana passada, a capital espanhola proibiu carros com placas de números pares de circular na zona central da cidade por um dia e também impôs restrições de estacionamento e velocidade como forma de combater a poluição dos veículos, agravada pelas condições climáticas de alta pressão.

Uma razão para o acúmulo de fumaça é a crescente idade da frota de veículos na Espanha, já que os proprietários deixaram de trocar de carro durante a crise econômica enfrentada pelo país entre 2009 e 2013, disse Ricardo Conesa, coordenador do Programa de Empresas Automotivas da IE Business School em Madri.

O estouro da bolha imobiliária, que mergulhou a Espanha em uma crise econômica nos últimos cinco anos, esfriou a demanda por todos os tipos de bens de consumo, como carros, levando os licenciamentos a uma queda de 40% entre 2008 e 2012.

O declínio dos investimentos em novos veículos é uma das razões pelas quais os madrilenhos agora precisam suportar a "boina negra", como é conhecida a nuvem de poluição que se forma sobre a cidade quando o céu está sem nuvens.

Bonança econômica

"Muitas pessoas compraram carro em 2006 e 2007, durante o período de bonança na Espanha", disse Conesa em uma entrevista por telefone. "E são exatamente esses carros que estão completando 10 anos agora."

Quando o mercado imobiliário e o de crédito estavam a todo vapor, os licenciamentos de veículos atingiram o ápice em 2005, com 1,65 milhão de unidades vendidas por ano, e depois caíram para 699.589 em 2012, ano em que o país solicitou 41 bilhões de euros (US$ 43,3 bilhões) da União Europeia para injetar em seu sistema bancário.

A Espanha tentou aliviar o impacto da queda nas vendas de carros com a oferta de incentivos financeiros entre 2012 e 2016 para que proprietários trocassem seus veículos. O programa, que oferecia um bônus em dinheiro, ajudou a retirar mais de 1 milhão de carros velhos de circulação, mas não foi suficiente para evitar que a idade da frota espanhola continuasse aumentando.

Em 2017, 60% dos veículos espanhóis terão mais de 10 anos, de acordo com dados da consultoria MSI. Apenas neste ano, o número de carros com mais de uma década irá aumentar em 1,15 milhão, segundo a consultoria.

A idade média de um carro na Espanha atingiu 11,9 anos em 2016, comparada com 7,8 anos há uma década, segundo estimativas da Associação Nacional de Fabricantes de Automóveis e Caminhões (Anfac). Em 2014, os veículos com mais de 10 anos respondiam por 35% da frota de carros no Reino Unido, 42% na França e 50% na Itália, segundo a Anfac.

Envelhecimento da frota

A associação estima que a idade média da frota de veículos espanhola começará a cair apenas a partir de 2020, de acordo com um relatório publicado no site do grupo. Atualmente, 8 milhões de veículos em circulação foram fabricados em 2001 ou antes, segundo a Anfac.

O foco do problema é que, embora os espanhóis tenham trocado de carro a preços mais acessíveis sob o plano de incentivo do governo, motoristas de baixa renda não conseguiram comprar modelos usados mais novos, disse Conesa.

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