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Grandes fortunas da Ásia deixam hedge funds

Klaus Wille

(Bloomberg) -- Para Michael Preiss, cuja empresa administra US$ 1,9 bilhão, principalmente para famílias asiáticas abastadas, era fácil incluir hedge funds nos portfólios de seus clientes há alguns anos. Mas não agora.

O diretor executivo do multifamily office Taurus Wealth Advisors Pte, de Cingapura, disse que seus clientes estão decepcionados com os medíocres retornos dos hedge funds e se queixam das comissões altas, levando-os a migrar para investimentos em private equity.

Com os resgates já no maior nível em quatro anos, os donos de grandes fortunas na Ásia fazem parte de um grupo de investidores que os hedge funds da região não podem se dar ao luxo de perder. Os family offices que representam bilionários e multimilionários são uma fonte crucial de capital na Ásia, onde os fundos de pensão globais e dotações universitárias não fizeram grandes incursões. Os gestores de recursos que estão buscando dinheiro para novos hedge funds devem sofrer o maior impacto.

"Os hedge funds da Ásia são menores do que seus competidores globais, por isso são mais dependentes de dinheiro de indivíduos de alta renda e de family offices", disse Melvyn Teo, professor de finanças da Universidade de Administração de Cingapura. "Se os family offices retirarem dinheiro, a indústria de hedge funds da região claramente sentirá a pressão."

O UBS Group disse em novembro que os family offices em todo o mundo têm recusado hedge funds devido à posição de desvantagem desses investimentos em comparação com o mercado acionário depois da crise financeira de 2008. A tendência é ainda mais acentuada na Ásia, onde os family offices estabelecem metas de desempenho mais agressivas, segundo Eric Landolt, chefe de aconselhamento de famílias para a região Ásia-Pacífico.

Motor de crescimento

"Os family offices servem normalmente para adicionar riqueza à família", disse Landolt. "São um motor de crescimento para a família, enquanto na Europa e EUA há um ângulo muito mais forte de preservação da fortuna."

Gestores em busca de capital fora da Ásia podem encontrar novos tomadores. Ray Nolte, diretor de investimentos do hedge fund americano SkyBridge Capital, que administra US$ 8 bilhões em ativos, disse no mês passado que está evitando hedge funds da Ásia devido aos crescentes riscos nos mercados de dívida da China. O SkyBridge tem menos de 5 por cento de seus ativos em hedge funds asiáticos, segundo Nolte, comparados com os 85 por cento nos EUA e 10 por cento na Europa.

Os hedge funds que investem na Ásia sofreram impacto de US$ 1,6 bilhão em resgates até novembro, o que sinaliza a maior saída de recursos em quatro anos, reflexo dos baixos retornos do setor globalmente, de acordo com as estimativas mais recentes da empresa de dadosEurekahedge Pte.

"Os maiores hedge funds se tornaram complacentes, ou seja, colocaram mais ênfase na comissão de gestão do que na taxa de desempenho", disse Preiss, do Taurus. "Por exemplo, um fundo de US$ 1 bilhão tende a focar na preservação de capital e conseguir a comissão de gestão em vez de trabalhar em um desempenho aceitável."

As famílias com grandes fortunas administradas pelo Taurus estão investindo diretamente em empresas de tecnologia, segundo Preiss. O Taurus tem cerca de 10 por cento de seus clientes alocados em ativos alternativos.

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