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Caterpillar e Komatsu usam tecnologia de videogame em escavações

Masumi Suga, Andrew Willis e Mario Parker

(Bloomberg) -- Em Chicago, não muito longe do Lago Michigan, o operador de uma escavadeira da Caterpillar olhou para todos os lados antes de manobrar a máquina de 104 toneladas em uma pista de obstáculos deserta, cheia de montes de areia e pneus velhos. Apesar do esforço, ele não saía do lugar.

Em vez disso, sentado em uma caixa imóvel rodeado de monitores na UI Labs, na região de Goose Island, dentro da cidade, o operador manobrava os controles de uma escavadeira amarela que estava a cerca de 2.700 quilômetros de distância, no Arizona.

Bem-vindo ao novo mundo das grandes máquinas, em que fabricantes como Caterpillar e Komatsu estão tentando de tudo, de tecnologia de acesso remoto a caminhões autônomos, para reanimar a queda nas vendas e se adaptar às mudanças dos mercados.

"No futuro, as fabricantes também ficarão como a indústria de softwares", disse Kazunori Kuromoto, diretor-executivo da Komatsu, na sede da empresa em Tóquio. "Transformação digital, redes onipresentes e big data refletem a tendência mundial da atualidade."

As fabricantes de grandes escavadeiras, carregadeiras e caminhões foram atingidas fortemente pela queda global das commodities, o que forçou as empresas de mineração e construtoras a reduzir suas folhas de pagamento e a comprar menos equipamentos.

Os preços do minério de ferro são a metade do que eram seis anos atrás e os valores da maioria dos outros metais também estão bastante baixos. Em relação ao pico de 2012, as vendas trimestrais de equipamentos de mineração caíram mais de 80%, mostram dados da Parker Bay.

A automação e a robótica não são uma novidade, mas continuam transformando todos os tipos de setores. A loja virtual Amazon.com está fazendo experimentos com entregas de produtos aos clientes por meio de drones, a Tesla Motors instala sistemas de piloto automático em seus carros e a Deere & Co. utiliza GPS para conduzir tratores e colheitadeiras de forma mais precisa.

Embora a mudança seja lenta nos setores de mineração e de construção -- uma única escavadeira como a que Caterpillar, que tem sede em Peoria, Illinois, exibiu em Chicago há alguns meses pode custar US$ 3 milhões --, novos projetos desenvolvidos durante a era de baixos preços das commodities estão apresentando muitas das mesmas tecnologias para reduzir custos com mão de obra e aumentar a eficiência. Trata-se de uma área com potencial de crescimento para a Caterpillar e a Komatsu, que registraram vários anos de declínios em vendas de unidades.

O esforço do setor para proteger as margens de lucros levará a um aumento no desenvolvimento de novas máquinas que atingirá o pico nos próximos 10 a 15 anos, segundo relatório do Instituto Internacional para Desenvolvimento Sustentável (IISD, na sigla em inglês).

Isso também significará menos trabalhadores porque a automação reduzirá empregos, como aqueles envolvidos em perfurações, explosões e condução de trens e caminhões -- áreas que normalmente representam mais de 70 por cento dos empregos em mineração, prevê o instituto.

"As soluções tecnológicas que oferecemos resolverão os desafios enfrentados por nosso setor", disse Phillip Pollock, gerente-geral de marketing e vendas para a região Ásia-Pacífico da Caterpillar, em entrevista, em Tóquio.

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