Bolsas

Câmbio

Trump eleva risco de erro na política monetária dos EUA

Craig Torres

(Bloomberg) -- Errar é humano. Errar no banco central dos EUA significa destruir empregos e patrimônio nacional.

É por isso que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) tem uma postura paciente quando se trata de elevar os juros (foram apenas dois acréscimos nos últimos 13 meses), à medida que o desemprego recua e a inflação mal dá as caras. Mas Fed apertou a política monetária em dezembro e os salários deram um salto no fim do ano. Assim, um novo risco entrou no debate: e se a subida dos juros estiver lenta demais?

É notoriamente difícil identificar pontos de inflexão no ciclo de negócios. O próximo comandante da Casa Branca chega prometendo providências para acelerar o crescimento e introduziu um elemento surpresa entre os desafios enfrentados pelo banco central.

Os integrantes do Fed querem a economia mais aquecida para esticar os ganhos no mercado de trabalho e aumentar a inflação. O estímulo fiscal prometido pelo presidente eleito Donald Trump viria com o desemprego já baixo, o que aumenta as chances de erro.

"Há um risco maior de erro das autoridades", disse Laurence Meyer, que já foi diretor do Federal Reserve e agora lidera uma consultoria de análise política em Washington que leva seu nome. "O comitê vai receber mais do que barganhou. Eles queriam um mercado de trabalho aquecido, eles queriam inflação - eles serão testados em ambas as esferas."

Desde o fim do afrouxamento quantitativo, em 2014, integrantes do Fed indicaram preferência por trazer a taxa básica de juros para níveis considerados normais. Eles usaram a palavra "gradual" para descrever a trajetória de alta dos juros. Agora, tentam convencer investidores - e a si mesmos - de que estão preparados para acelerar o passo, se necessário.

"A economia aparentemente está melhor", disse Laura Rosner, economista sênior do BNP Paribas, em Nova York. Embora os integrantes do Fed tenham sinalizado três acréscimos neste ano na estimativa mediana divulgada no mês passado, "não houve projeção específica" sobre o cronograma desses aumentos, ela ressaltou.

Impulso fiscal

Trump assume a Casa Branca ainda neste mês, após promessas de acelerar o crescimento econômico para 3% a 4%, praticamente o dobro do ritmo atual. Reformas tributárias e estímulo fiscal estão entre as ferramentas em estudo para impulsionar a atividade.

A taxa de desemprego ficou em 4,7% em dezembro e os salários subiram 2,9% ao longo de 12 meses, o maior ganho desde 2009. As autoridades calculam que a economia faz máximo uso do trabalho com o desemprego em 4,8%. Indicadores de compensação da inflação começaram a subir.

A métrica preferida de inflação do Fed, excluindo energia e alimentos, subiu 1,6% nos 12 meses até novembro.

"Se tivermos surpresa positiva, e isso pode vir de diversas fontes, o risco de desemprego abaixo do desejável ou inflação acima do desejável, com o tempo, é uma preocupação razoável", afirmou o responsável pelo escritório regional do Fed em Boston, Eric Rosengren, na segunda-feira. Ele espera que a inflação neste ano alcance a meta do Fed, de 2%.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos