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Empresas de GNL miram produção de energia para reduzir excedente

Anna Shiryaevskaya e Paul Burkhardt

(Bloomberg) -- Em busca de novas formas de vender seus produtos, as produtoras de gás natural liquefeito estão recorrendo a uma antiga técnica: pacotes.

Com o aumento da demanda por eletricidade em países em desenvolvimento como a África do Sul e o Chile, as produtoras de GNL estão oferecendo o fornecimento tanto de combustível quanto de uma usina de energia em acordos de parceria que podem garantir o consumo de seu produto por anos. Para seus clientes, principalmente governos, isso significa lidar com uma única entidade responsável por todos os elos da cadeia.

Até cinco projetos planejados globalmente podem ser desenvolvidos como uma cadeia integrada do GNL à energia, segundo o escritório de advocacia Baker Botts, com sede em Houston, nos EUA. As produtoras de GNL Cheniere Energy e Total têm acordos de pacotes em andamento ou em discussão, enquanto a construtora de usinas de energia Siemens e provedores de navios como a Hoegh LNG Holdings oferecem sua contribuição como parceiros.

"Este será o principal motor de crescimento da demanda por GNL daqui para a frente", disse o diretor comercial da Cheniere, Anatol Feygin, que está envolvido em um projeto de uso de GNL para produção de energia no Chile, em entrevista. "Trata-se de um modelo que estamos tentando replicar globalmente."

Excedente recorde

A produção global de GNL deverá gerar um excedente recorde de 46 milhões de toneladas por ano até 2019, ou cerca de 13 por cento a mais do que o mercado precisa, segundo a Sanford C. Bernstein & Co. Os países em desenvolvimento ampliarão a demanda por gás e energia em mais de 2 por cento ao ano até 2040, enquanto o consumo nos países mais ricos está próximo da estagnação, segundo a Agência Internacional de Energia.

Isso está levando o setor a procurar novas ferramentas de marketing.

"O que está acontecendo aqui é a convergência de fatores no setor de energia, por um lado, e no setor de GNL, por outro", disse Robin Mizrahi, sócio da Baker Botts em Londres, em entrevista por telefone. "O principal motor do lado do GNL é o fato de os fornecedores de GNL estarem procurando novos mercados."

Uma nova usina de gás é mais eficiente do que outra de carvão, é pelo menos dois anos mais rápida de construir e ajuda a reduzir as emissões, disse Sabine Dall'Omo, CEO da unidade da Siemens na África do Sul.

A maior empresa de engenharia da Europa demonstrou interesse no programa de produção de energia a partir do gás da África do Sul, de US$ 3,7 bilhões, inicialmente planejado em dois portos. O novo sistema ajudará a diversificar a matriz energética do país, que utiliza o carvão para mais de 75 por cento de sua geração. O total inicial de 3.000 megawatts nos portos deverá aumentar a capacidade local após blecautes programados em 2015.

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