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O mistério dos comissários de bordo doentes da American Airlines

Justin Bachman e Mary Schlangenstein

(Bloomberg) -- Com dificuldades respiratórias, erupções cutâneas, coceiras nos olhos ou dores de garganta, vários comissários de bordo da American Airlines afirmaram que seus novos uniformes de trabalho estão fazendo com que eles adoeçam.

Mas após uma bateria de testes e discussões tensas entre o sindicato que os representa, a empresa aérea e a fornecedora do uniforme, ainda não está claro o que exatamente está por trás do aumento no número de queixas sobre problemas de saúde.

A Associação de Comissários de Bordo Profissionais (APFA, na sigla em inglês), que representa os comissários da American, pediu que a aérea realizasse recall dos novos uniformes, entregues a 70.000 funcionários a partir de setembro.

A empresa aérea afirma ter investido mais de US$ 1 milhão em três séries de testes toxicológicos que, até o momento, não apresentaram nenhuma causa óbvia para esses males.

A American e o sindicato agora estão conferindo os protocolos para realizar exames complementares -- mas o problema se tornou mais contencioso na semana passada com uma onda de comunicados trocados entre a empresa aérea, o sindicato que representa os comissários de bordo e a fornecedora de uniformes.

O sindicato afirma que cerca de 10 por cento, ou 2.300, dos comissários de bordo que representa reportaram reações adversas -- entre elas erupções cutâneas, dores de garganta, dificuldades respiratórias, fadiga e vertigem -- desde que começaram a usar o novo uniforme. "Isso continua sendo um problema sério e crescente que não vai desaparecer sem alguma nova medida corretiva por parte da companhia", afirmou o sindicato, na quinta-feira, em mensagem a seus associados.

A American afirma que o call center aberto pela empresa em outubro para os funcionários recebeu 450 queixas formais sobre problemas de saúde, sendo 350 delas de comissários de bordo.

A polêmica dos uniformes se transformou em um assunto tão preocupante na empresa aérea que diversos executivos começaram a usar o traje, ou parte dele, para tentar diminuir os temores.

Contudo, os comissários de bordo acreditam que produtos químicos presentes no uniforme -- um corante ou um adesivo, por exemplo -- provavelmente estejam provocando as reações severas que, segundo o sindicato, afetam cerca de um em cada 10 comissários de bordo.

"Tenho bastante certeza de que há algo no tecido que está provocando isso", disse Bob Ross, presidente nacional do sindicato. "Algumas [pessoas] reagem de imediato. Muitas outras sentem os efeitos só por estarem perto dos uniformes."

Os uniformes foram submetidos a uma bateria de testes e o sindicato, a empresa aérea e a fornecedora Twin Hill contrataram especialistas para determinar a composição química das peças.

Até o momento, os testes realizados pela American e pela Twin Hill não apresentaram substâncias que não devessem estar presentes em roupas ou qualquer nível de elemento químico que supere os limites seguros, informou a empresa aérea.

Na semana passada, a empresa aérea rejeitou um agravo apresentado por Ross em nome dos comissários doentes. "A segurança e o conforto dos membros de nossa equipe são mais importantes do que qualquer coisa que fazemos e sabemos que são parte importante da missão da APFA também", escreveu Cindi Simone, diretora-gerente de relações de trabalho da American.

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