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Quebec lidera busca por empregos inteligentes no Canadá

Sandrine Rastello e Frederic Tomesco

(Bloomberg) -- Quando em seu escritório tem uma rampa de skate e um barista a postos para servir café em meio às tarefas de codificação, são boas as chances de que você esteja na Califórnia. A menos, é claro, que você esteja em Quebec.

Simon De Baene está oferecendo regalias dignas do Vale do Silício em sua empresa de software, a GSOFT, que tem sede em Montreal, expandiu sua força de trabalho em 60 por cento nos últimos 12 meses e tem mais contratações pela frente. Este é apenas um exemplo da pequena explosão que colocou Quebec, há tempos visto como a retardatária econômica do Canadá, no topo da liga de criação de empregos do país.

E não apenas empregos à moda antiga: empregos inteligentes, do tipo que as autoridades canadenses querem replicar em todo o país, que busca de novas fontes de crescimento após o colapso do petróleo. A posição improvável de Quebec na vanguarda da iniciativa, duas décadas depois de quase ter se separado do país, foi recompensada pelos investidores que transformaram seus títulos naqueles de melhor desempenho entre as 10 províncias no ano passado.

"Temos uma qualidade de vida incrível em Quebec: temos ótimos engenheiros, somos criativos e o custo de vida é realmente bom", disse De Baene. "Temos o ambiente ideal para construir organizações de sucesso."

Quebec gerou 85.400 empregos de tempo integral em 2016, mais que as outras nove províncias canadenses juntas, e o crescimento de seu mercado de trabalho respondeu por 42 por cento do total do país. A taxa de desemprego atingiu uma mínima recorde de 6,2 por cento em novembro e ficou abaixo da média nacional pelo quarto mês seguido em dezembro, algo sem precedentes nos dados registrados desde 1976.

Iniciada com a empresa de consultoria de tecnologia da informação que De Baene, 31, ajudou a fundar quando era estudante, 10 anos atrás, a GSOFT agora realiza 43 por cento de suas vendas nos EUA, emprega mais de 200 pessoas e tem a Walt Disney e a Tesla Motors como clientes.

A francesa Ubisoft Entertainment, produtora do jogo Assassin's Creed, foi uma das primeiras a aproveitar um incentivo fiscal do governo ao abrir um escritório em Montreal, em 1997. Cédric Orvoine, vice-presidente de recursos humanos da empresa, disse que a Ubisoft atualmente conta com 3.400 funcionários na cidade de Quebec e em Montreal após aumentar a folha em 180 nomes de abril para cá. Ele planeja abrir mais 120 vagas ao ano nos próximos dois a três anos.

A Breather é uma startup com sede em Montreal que permite que os usuários reservem salas de reunião e espaços de trabalho em cidades como Londres, Nova York e São Francisco. A companhia ampliou sua equipe em 60 por cento em 2016, para 83, mais que quadruplicando sua equipe de atendimento ao cliente para 17, disse o gerente de recursos humanos da empresa, Frances Wilk, por e-mail.

As autoridades estão depositando cada vez mais esperanças em empresas desse tipo em um momento em que o país se distancia dos recursos naturais. Exportadores de serviços de tecnologia da informação geram apenas 3,4 por cento do produto interno bruto do Canadá e cerca de 1,5 por cento das exportações, mas as companhias desse subsetor estão testemunhando um forte crescimento das receitas, muitas vezes de três dígitos, segundo uma análise do banco central divulgada em novembro.

O rápido crescimento dos empregos em tempo integral começa a aumentar o gasto dos consumidores, o que deverá estimular a geração de mais empregos, disse Éric Corbeil, economista sênior do Laurentian Bank Securities em Montreal, em entrevista por telefone.

"A roda começou a girar", disse ele.

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