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Oferta de dívida de emergentes dispara antes da posse de Trump

Brian Smith e Ben Bartenstein

(Bloomberg) -- Diante da queda dos custos de captação, emissoras de países emergentes correm para levantar recursos antes de Donald Trump assumir o cargo de presidente dos EUA nesta sexta-feira.

Em novembro e dezembro, houve só um punhado de captações. Mas, no momento, há uma horda de governos e empresas de países em desenvolvimento emitindo títulos. Até agora e sem contar o dia de hoje, 17 entidades anunciaram planos de colocação antes da posse.

Quase 70 por cento das ofertas programadas para antes da posse de Trump são da América Latina. Estão previstas colocações pelos governos da Argentina, Colômbia e República Dominicana e também pela Empresa de Transporte de Pasajeros Metro, do Chile. Fora da América Latina, o governo da Turquia e a produtora russa de alumínio United Co. Rusal também anunciaram vendas de títulos.

Os custos de captação deram um salto após a vitória inesperada de Trump em novembro e convenceram empresas e governos latino-americanos a adiar pelo menos US$ 10 bilhões em operações internacionais de renda fixa. Desde então, os custos recuaram e alguns emissores, como a Argentina, aceleraram as colocações, temendo que Trump anuncie planos econômicos após a posse e desencadeie outro movimento de desvalorização dos títulos.

"Faz sentido aproveitar isso", disse Lucy Qiu, analista em Nova York do UBS Wealth Management, que supervisiona mais de US$ 1 trilhão. Para alguns especialistas, a onda de colocações de mercados emergentes é resultado da demanda reprimida durante o quarto trimestre e do fato de investidores com mais dinheiro em caixa finalmente terem condições de agir em mercados estáveis. No entanto, o clima político nos EUA exerce clara influência sobre as decisões dos tomadores de recursos, com destaque para a América Latina.

A Petrobras abriu o mercado em 2017 com uma colocação de US$ 4 bilhões em 9 de janeiro e depois confirmou que a data da posse de Trump influenciou a decisão. A transação de múltiplas tranches do governo da Argentina chega ao mercado nesta quinta-feira.

"Está claro que os investidores têm colocado dinheiro em dívidas de mercados emergentes, diante dos livros bem cobertos e da forte oferta observada desde o começo do ano", disse Gregory Saichin, diretor de investimentos para títulos de mercados emergentes da Allianz Global Investors, em Londres. "Novas operações estão sendo realizadas em níveis apertados, mostrando que os investidores talvez não acreditem em um cenário de reflação sustentada."

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