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Canadá sinaliza acordo comercial com EUA excluindo México

Joshua Wingrove

(Bloomberg) -- O governo canadense vai considerar medidas comerciais bilaterais na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte, em um sinal de que pode avançar, pelo menos parcialmente, sem o México.

Os comentários de David MacNaughton, o embaixador do Canadá nos EUA, sugerem que as promessas protecionistas do presidente americano Donald Trump estão causando divisões no pacto continental. Trump se prepara para encontrar o presidente mexicano Enrique Peña Nieto no fim do mês.

O governo do primeiro-ministro Justin Trudeau se reuniu em Calgary a partir da noite de domingo para discussões nas quais a presença de Trump é sentida de perto. No mesmo dia, o presidente americano disse que começaria a renegociar o Nafta e que chegaria a um "resultado muito bom" para todos. Logo em seguida, em Calgary, MacNaughton afirmou que o foco dele é evitar que o Canadá seja "dano colateral" em medidas comerciais voltadas para China e México.

"Não posso falar pelos mexicanos", ele disse a repórteres, usando a mesma linha do Ministério do Comércio. "Nós iremos cooperar em questões trilaterais quando for do nosso interesse e buscaremos fazer coisas que forem do nosso interesse bilateralmente também. Algumas podem ser dentro do Nafta, outras não."

Trudeau conversou com Peña Nieto no domingo, divulgando um resumo em seguida no qual afirmou que eles "falaram sobre a importância do relacionamento bilateral Canadá-México e da parceria trilateral da América do Norte."

'Dano colateral'

Desde a eleição de Trump, especialistas e autoridades comerciais do Canadá alimentam esperanças de não serem alvo de Trump.

O Canadá é o maior comprador de bens dos EUA e o maior comprador de 35 Estados americanos individualmente ? detalhe que Trudeau mencionou a Trump em telefonema no sábado. O temor dos canadenses é serem afetados por tarifas ou medidas aplicadas de forma ampla. Praticamente 70 por cento das trocas comerciais do Canadá são com os EUA.

"Não acho que o Canadá seja o foco, mas acho que somos parte disso", disse MacNaughton. "É com isso que precisamos nos preocupar - em sermos dano colateral."

A equipe de Trump ainda não apresentou questões específicas ao comércio com o Canadá, acrescentou MacNaughton. "A maior preocupação deles, francamente, em termos de comércio são os déficits com China e México. Foi isso que eles levantaram."

Trudeau se preparou para a era Trump promovendo a ministra do Comércio, Chrystia Freeland, a ministra das Relações Exteriores e líder das negociações com Trump. Ele nomeou um general da reserva como vice de Freeland, com o objetivo específico de atrair o governo americano, e também reorganizou sua equipe para concentrar esforços nos laços com os EUA.

Consequências no Canadá

Enquanto isso, o estilo político de Trump ganha espaço no Canadá. Trudeau cancelou sua passagem pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para se dedicar a uma viagem a áreas rurais com o objetivo de mudar sua imagem de político distante da realidade. O principal partido da oposição se debate em uma disputa de poder na qual diversos candidatos usam táticas de Trump.

Freeland minimizou os riscos de grande impacto comercial, afirmando estar "realmente confiante" de que o Canadá conseguirá construir uma relação firme com a equipe de Trump. "Houve quase uma dúzia de mudanças significativas no Nafta desde que foi concluído, por isso estamos animados para essas conversas", ela afirmou em entrevista a um canal de televisão no dia da posse de Trump.

Ainda assim, a figura de Trump dominou as discussões do alto escalão do governo canadense em Calgary, cidade que é sede das petrolíferas que atuam no Canadá, o maior fornecedor de petróleo estrangeiro para os EUA.

O Canadá pretende manter seu "relacionamento comercial mutuamente benéfico" com o vizinho, disse MacNaughton, embora reconheça o caminho cheio de obstáculos adiante. "Não vai ter tédio."

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