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Era Trump pode forçar Europa a decidir seu papel geopolítico

John Follain e Ian Wishart

(Bloomberg) -- A chegada de Donald Trump à Casa Branca impõe um momento de decisão à Europa.

As críticas do novo presidente dos EUA às vésperas da posse na semana passada foram rebatidas com promessas de união e apoio renovado à União Europeia. A chanceler alemã Angela Merkel prometeu manter a unidade por meio do diálogo contínuo com outros países integrantes. Mark Rutte, sua contraparte na Holanda, pediu que o foco volte para a economia. O vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, afirmou que os críticos não devem subestimar a determinação do bloco.

A questão é se esse compromisso renovado será suficiente para cuidar das falhas na estrutura da UE que se revelaram nos últimos anos. Desde que a conquista da integração trouxe a moeda única e a expansão da economia do leste do continente, a UE se atrapalhou com impostos, dívidas, gastos com defesa e adoção de uma política externa comum em relação a vizinhos como Rússia e Líbia.

A decisão do Reino Unido de sair da UE fortaleceu campanhas populistas em toda a região. Os defensores do bloco enfrentam um dilema urgente sobre a extensão da união que será forjada em resposta à nova realidade. As críticas de Trump aumentaram a pressão para que a Europa se adapte ? ou deixe aumentar as dúvidas sobre a viabilidade do projeto no longo prazo.

"O impacto de Trump é que a Europa tem de decidir muito rápido que tipo de Europa quer ser", disse Guntram Wolff, diretor do Instituto Bruegel, sediado em Bruxelas. "Este é um grande problema porque precisamos reagir agora e há muita negação."

Críticas de Trump

Trump abalou a UE ao classificá-la como veículo para o domínio alemão, em entrevista publicada por dois jornais europeus em 15 de janeiro. Enquanto estendia a mão à Rússia, ele afirmou também que outros países seguiriam os passos do Reino Unido e chamou de "obsoleta" a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, a aliança que garante o apoio militar dos EUA à Europa).

Internamente, políticos e eleitores do sul da Europa ficaram desgostosos com as demandas da Alemanha e aliados durante a crise da zona do euro. E líderes do maior bloco econômico do mundo estão cientes de que pegaram carona no colosso militar dos EUA durante décadas.

Uma proposta de integração elaborada pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; pelo presidente da UE, Donald Tusk; e pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, está engavetada em Bruxelas. Já uma iniciativa pós-Brexit para acelerar a cooperação em defesa até agora só rendeu promessas vagas.

Sem grandes planos

Os problemas da Europa chegaram a um ponto crítico em um momento em que Holanda, França e Alemanha (três dos seis países fundadores da UE) estão prestes a enfrentar eleições marcadas pela busca de interesses mais nacionalistas e estreitos por eleitores que se sentem negligenciados pelo establishment. Enquanto as campanhas de Trump e do Brexit capturaram esse descontentamento, os líderes europeus não conseguem articular como vão virar o jogo para os eleitores.

Em vez de apresentar um plano grandioso, a figura mais poderosa da Europa, Angela Merkel, defende uma abordagem pragmática e incremental ? a mesma que ela usou para costurar respostas à crise da dívida na Grécia, a criação da união bancária e o enfrentamento da agressão da Rússia à Ucrânia.

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