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BC dos EUA pode começar debate sobre US$ 4,5 tri já em 2017

Christopher Condon

(Bloomberg) -- Chegou a hora de falar sobre o balanço patrimonial do banco central americano.

Oito anos após o Federal Reserve iniciar a primeira de três polêmicas campanhas de compra de títulos de dívida para ajudar a salvar a economia, seus ativos somam US$ 4,5 trilhões. A pergunta sobre quando permitir que essa montanha seja desbastada começa a incomodar.

Diversas autoridades defenderam publicamente o início do debate. O desenrolar dessa discussão pode ter implicações importantes para o ritmo de aumento de juros e para o dólar.

"Eles precisam começar a contextualizar isso para o mercado", disse Michael Gapen, economista-chefe para os EUA do Barclays. Segundo ele, os investidores precisam saber qual será o "equilíbrio" entre o balanço patrimonial e a principal ferramenta do Fed, que é a taxa básica de juros.

Magnitude

A magnitude do balanço patrimonial ajuda a limitar os juros de longo prazo no país ? motivo pelo qual o Fed comprou os títulos. Se as autoridades permitirem o vencimento dos papéis sem dar seguimento à prática atual de reinvestir o principal, a demanda no mercado de títulos diminuirá e os rendimentos subirão.

O assunto voltou à tona com a melhora da perspectiva para a economia dos EUA. O Fed elevou os juros duas vezes nos últimos 13 meses e sinalizou três acréscimos de 0,25 ponto percentual neste ano. Paralelamente, o presidente Donald Trump promete expansão fiscal.

Se o estímulo fiscal superaquecer a economia, o Fed precisará apertar a política monetária de forma mais contundente. O responsável pelo escritório regional do Fed em St. Louis, James Bullard, disse que prefere usar o balanço patrimonial para fazer parte desse trabalho, repetindo comentários de sua contraparte no escritório do Fed em Boston, Eric Rosengren.

"Se você entende que a economia está crescendo mais rapidamente do que o desejável, você pode continuar subindo os juros de curto prazo ou usar o balanço patrimonial de forma conjunta", afirmou Rosengren em entrevista em 9 de janeiro.

Na opinião dele, o Fed, no mínimo, precisa falar sobre o assunto logo. Concordaram com ele os responsáveis pelos escritórios da instituição em São Francisco (John Williams), Atlanta (Dennis Lockhart), Filadélfia (Patrick Harker) e Dallas (Robert Kaplan).

Sem pressa

Porém, nenhum deles pediu urgência e o tema talvez não entre na pauta da próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto (FOMC), em 31 de janeiro. O FOMC costuma demorar diversas reuniões para tomar grandes decisões e é provável que seus integrantes estejam focados no nível que os juros estarão dentro de um ano. Segundo observadores do Fed, Rosengren defende quatro acréscimos nos juros em 2017.

"Não acho que isso será feito em 2017", disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, em Nova York. "Para mim, eles veem isso como projeto para 2018."

Mesmo se não fizerem mudanças no balanço patrimonial neste ano, os atuais integrantes do Fed podem se empenhar em definir a estratégia por um motivo diferente: Trump deve nomear outra pessoa para liderar o Fed quando terminar o mandato de Janet Yellen, em fevereiro de 2018.

No momento, a posição do Fed é manter o balanço patrimonial reinvestindo os pagamentos de principal até o ciclo de elevação de juros estar "bem avançado" - linguagem observada em todos os comunicados de política monetária desde dezembro de 2015.

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