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Letônia recomenda que Ocidente tome cuidado com notícias falsas

Aaron Eglitis e Andrew Langley

(Bloomberg) -- Do canto da ex-União Soviética onde a guerra cibernética eclodiu há quase uma década, um líder tem um alerta para seus aliados na Europa ocidental depois que os serviços de inteligência dos EUA acusaram a Rússia de hackear a eleição presidencial.

Ataques híbridos que usam propaganda e falsas narrativas noticiosas agora representam um perigo para as eleições que acontecerão neste ano na França e na Alemanha, de acordo com o primeiro-ministro da Letônia, M?ris Ku?inskis. Seu país, com 2 milhões de habitantes, observou ataques de hackers a seus vizinhos bálticos e apoiou firmemente as sanções impostas pela União Europeia depois que a Rússia ajudou rebeldes separatistas e inundou a Ucrânia de notícias falsas.

"Nossos argumentos não tiveram repercussão" enquanto essas práticas não apareceram na Alemanha e em outros lugares no ano passado, disse Ku?inskis em uma entrevista em Riga, capital da Letônia, na terça-feira. "Houve uma tendência a espalhar informações enganosas, a se envolver em uma guerra híbrida. Considerando as eleições que acontecerão na França e na Alemanha, não tenho muito otimismo de que as coisas vão mudar de repente."

Esses votos poderiam ser cruciais para decidir o rumo da política europeia após a revolta populista que anunciou o Brexit, minou o governo italiano e catapultou Donald Trump à Casa Branca. Mais perto da Letônia, autoridades na Polônia e na Hungria estão aproveitando forças contrárias ao establishment para se rebelar contra o mainstream da UE.

Os três países bálticos, que têm fronteira com a Rússia, integraram involuntariamente a União Soviética, se livraram do controle de Moscou no começo dos anos 1990 e entraram por fim na UE em 2004, junto com outros estados que haviam sido comunistas. Eles vêm alertando que o presidente russo, Vladimir Putin, poderia implementar as técnicas que usou na Ucrânia para influenciar eleitores na Europa ocidental.

A região báltica já foi vítima da guerra cibernética anteriormente. Em 2007, muitos sites estonianos do governo, da imprensa e dos bancos ficaram indisponíveis durante períodos longos após ataques. O então presidente do país culpou o Kremlin pelo ataque, realizado após a mudança de um memorial da Segunda Guerra Mundial; a Rússia negou envolvimento. Na Lituânia, o Ministério de Defesa afirmou em 2015 que um site do exército havia sido alvo de hackers que publicaram informações falsas sobre exercícios militares na região.

"Nós prestamos muita atenção" na segurança cibernética, disse Ku?inskis. "Nosso sistema de defesa se desenvolveu com muita força" e está integrado à Otan.

Embora estejam cautelosos com as perspectivas para a presidência de Trump, os países bálticos também estão elevando as despesas militares como integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Trump afirmou que essa aliança é obsoleta, mas, para Ku?inskis, o compromisso militar dos EUA com a região não vai oscilar. As tentativas de estabelecer um vínculo mais próximo com Putin são "normais", disse ele.

Ku?inskis disse que a Letônia cumprirá a meta de despesas da Otan no próximo ano, equivalente a 2 por cento da produção econômica, e não descartou a possibilidade de seguir os passos da vizinha Estônia e gastar ainda mais. Se as circunstâncias mudarem em termos militares, o país agiria, disse ele. "Para esse tipo de prioridade, é claro que nós encontraremos os recursos", disse Ku?inskis.

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