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Sucesso da economia britânica não diminui medo do Brexit

Jill Ward

(Bloomberg) -- A economia britânica pode ter passado no teste do Brexit em 2016, mas isso não diminui a preocupação das empresas com os desafios à frente.

Dias antes de os números mostrarem uma expansão saudável de 0,5 por cento no último trimestre de 2016, segundo o previsto, companhias com
o a empresa aérea EasyJet e a companhia de telecomunicações BT Group mencionaram problemas ligados ao Brexit, como a desvalorização da libra e a perda de negócios, ao apresentar aos investidores uma perspectiva sombria para este ano.

Os alertas contrastam muito com o desempenho do Reino Unido depois do referendo realizado em junho em que o país decidiu sair da União Europeia. A economia desafiou previsões pessimistas e manteve o impulso. Grande parte da força foi concedida pelo setor de serviços e pelo consumo. Esses fatores sofrerão pressão em 2017, quando a queda da libra elevar a inflação e apertar o cinto dos britânicos.

"Acreditamos que as coisas vão mudar neste ano", disse Chris Hare, economista da Investec e ex-funcionário do Banco da Inglaterra. "A incerteza econômica continua em níveis elevados, particularmente com o medo de um Brexit duro, e os efeitos da queda da libra após o referendo serão sentidos."

Ventos contrários

O CEO da BT, Gavin Patterson, disse na terça-feira que os ventos contrários estão piores que o previsto e no momento a empresa não está conquistando suficientes negócios novos para substituir completamente os contratos que estão acabando. Na semana passada, a Mitie, uma empresa de manutenção e limpeza, emitiu sua terceira advertência sobre lucros desde setembro e disse que foi "impactada por adiamentos feitos pelos clientes e por atrasos em planos de investimento".

Economistas consultados pela Bloomberg projetam que o crescimento do Reino Unido vai desacelerar em 2017 e estimam uma expansão de 1,2 por cento para o ano, menos que os 2 por cento previstos para 2016. O ritmo trimestral poderia cair para 0,2 por cento a partir do período de três meses finalizado em junho.

Libra

Independentemente da nova relação que surgir entre o Reino Unido e a UE, a queda de 16 por cento da libra desde o referendo já está começando a interferir nos preços. As vendas do comércio caíram inesperadamente em dezembro, o que, segundo economistas, poderia marcar o começo da tendência que provavelmente vai definir 2017: preços mais altos que reduzirão o consumo.

A EasyJet também mencionou a libra nesta semana e responsabilizou as oscilações por uma redução de 15 milhões de libras em seu guidance de lucros. A empresa estima que a demanda do país vai se recuperar neste ano à medida que o consumidor se adaptar à nova taxa de câmbio. A EasyJet escolherá um país-membro da UE onde vai solicitar direitos de operação a fim de poder continuar fazendo rotas dentro do continente depois que o Reino Unido sair do mercado comum.

"Vai ser um processo complicado", disse Anthony Browne, CEO da British Bankers Association, em entrevista à Bloomberg Television. "Fechar um novo acordo de parceria entre o Reino Unido e a UE vai ser complicado. O que nós queremos é o máximo grau possível de organização e certeza."

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