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Só o Brexit impede o aumento dos juros no Reino Unido

Brian Swint

(Bloomberg) -- Quando o assunto envolve motivos para elevação dos juros, a economia britânica atualmente preenche muitos requisitos.

Crescimento consistentemente acima do esperado, aceleração da inflação, nível recorde de emprego, disparada da tomada de crédito por consumidores. Tudo isso sugere que a economia está aquecida o bastante para suportar juros maiores. O mercado está atento, reagindo aos últimos sinais de força da economia com o aumento das apostas na alta de juros pelo Banco da Inglaterra até o final do ano.

Mas o Brexit significa que o banco central não espera que os bons tempos durem muito. A desvalorização da libra esterlina desde a decisão do eleitorado britânico de sair da União Europeia pressiona os preços para cima e pode abalar o gasto do consumidor. Além disso, o Banco da Inglaterra espera piora dos investimentos, também prejudicando a demanda doméstica, que tem sido o motor da economia.

É um desafio para o comandante da instituição, Mark Carney. Talvez ele suba as projeções de crescimento de curto prazo novamente na semana que vem. Porém, diante da visão cautelosa dele sobre o futuro, é possível que prefira manter as expectativas para os juros contidas, pelo menos por ora.

"Esquecendo o que aconteceu no referendo no ano passado, estamos vendo exatamente o que achávamos que aconteceria após a vitória do voto pela permanência", disse Allan Monks, economista do JPMorgan Chase em Londres. "Nós prevíamos que os juros subiriam mais ou menos agora. A diferença óbvia é a expectativa sobre o que acontece depois, então haverá um teste importante nos próximos meses."

A economia britânica se expandiu 0,6 por cento no quarto trimestre, acima do esperado, mas ajudada pelo corte de juros que, segundo Carney, preservou empregos e incentivou a atividade após o referendo. Talvez ele não esteja preparado para reverter esse impulso tão cedo.

"O Banco da Inglaterra usou todas as desculpas possíveis para não elevar os juros desde 2011, então não me surpreende que esteja usando o Brexit como desculpa", disse Andrew Lilico, diretor-executivo da consultoria Europe Economics, sediada em Londres, e presidente do conselho de um grupo pró-Brexit chamado Economistas pela Grã Bretanha. "Não espero que eles subam os juros até que se sintam absolutamente obrigados, o que provavelmente significa inflação acima de 3 por cento."

As autoridades projetam desaceleração do crescimento neste ano e avanço da inflação para 2,8 por cento ? acima da meta de 2 por cento, mas a instituição já relevou desvios maiores no passado.

A previsão mediana dos economistas sondados pela Bloomberg neste mês é de manutenção da taxa básica de juros em 0,25 por cento por pelo menos mais dois anos. Em se tratando da direção, quando chegar a hora de agir, 65 por cento dos entrevistados esperam alta dos juros.

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