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Por que a geração Y gasta tanto para manter a forma nos EUA?

Ben Steverman

(Bloomberg) -- Em um domingo frio deste mês, Rianka Dorsainvil, uma planejadora financeira de 29 anos que mora nos arredores de Washington, D.C., subiu correndo uma íngreme ladeira nevada usando um colete que pesava nove quilos e arrastando um homem de 97 quilos.

Ela estava pagando pelo privilégio. O homem atrelado a ela era seu personal trainer, que administra um estúdio em sua casa e microgerencia não apenas os exercícios, mas também as refeições de Dorsainvil. Ela o chama de "cientista maluco".

"É ótimo ter um especialista te empurrando na direção certa", disse ela.

Uma parcela crescente da população dos EUA está fazendo um sacrifício significativo em prol da forma física, e isso não se resume a deixar os músculos doloridos e acordar de madrugada. Cada vez mais pessoas gastam centenas de dólares por mês, ou milhares por ano, em exercícios personalizados, classes especiais e academias cada vez mais luxuosas.

Dorsainvil e o marido, um consultor de tecnologia, gastam cerca de 10 por cento do orçamento mensal para ficarem em forma, calcula ela. Isso inclui treinamento, mensalidades de uma academia onde ela começa o dia às 4h30 e compras reforçadas no supermercado, incluindo suplementos, que servem de combustível para todo esse exercício.

Como contraste, o americano médio gasta uma quantidade minúscula para manter a forma. Quase um quinto dos americanos frequenta academias como membro e a mensalidade média das academias dos EUA é de US$ 54, ou 1,2 por cento da mediana da renda doméstica, segundo os dados mais recentes da International Health, Racquet & Sportsclub Association, ou Ihrsa, uma associação do setor de academias.

Muitos dos praticantes mais entusiasmados são da geração Y, que pareceria ter menor capacidade para cobrir os custos extras. Pressionados por dívidas estudantis e por morarem em cidades com aluguéis altos, os jovens cidadãos urbanos ainda gastam US$ 20 a US$ 40 por aula, com uma hora de duração, e US$ 50 a US$ 100 ou mais por sessão de treinamento pessoal.

Janeiro é o mês mais popular para entrar em uma academia. É também quando muitas delas aumentam suas mensalidades, processo que pode fazer seus membros saírem. "É sempre assustador aumentar as mensalidades, porque não sabemos quantos membros vamos perder", disse Bill McBride, consultor de academias e CEO e cofundador da Active Wellness, que administra mais de 60 academias nos EUA.

Até o momento, há poucas evidências de que os membros dos estúdios e das academias de luxo estejam apertando os cintos. De forma global, a Ihrsa estima que as receitas do setor tenham subido 6,1 por cento em 2015, para US$ 25,8 bilhões. Os veteranos do setor se mostram surpresos com o fato de os clientes mais jovens das academias serem menos sensíveis aos preços do que as gerações anteriores. Por que a geração Y está disposta a gastar centenas de dólares por mês em academia?
"Não tenho ideia", só sei que "eles transformaram a boa forma em prioridade", disse Rick Caro, consultor da Management Vision ex-dono de academia com 43 anos de experiência.

Dorsainvil tem uma teoria. "A nossa geração é formada por pessoas multitarefa", disse ela. "Apenas quando estamos nos exercitando somos realmente capazes de nos concentrar em uma coisa só."

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