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Licença-maternidade pode ser excessiva na Europa

Laura Colby

(Bloomberg) -- Se o presidente Donald Trump cumprir sua promessa, os EUA se juntarão ao restante do mundo industrializado e oferecerão algum tipo de licença-maternidade remunerada.

Como foi explicado durante a campanha eleitoral, Trump daria seis semanas de licença remunerada a novas mães -- menos que o mínimo de 14 semanas recomendado pela Organização Internacional do Trabalho, das Nações Unidas, e muito menos do que as mulheres profissionais recebem na Europa Ocidental.

No entanto, enquanto os EUA se aproximam de uma licença remunerada nacional, pesquisas sugerem que um afastamento excessivamente longo não é ideal. As políticas de licença parental que estendem o período a um ano ou dois muitas vezes são um empecilho para a vida profissional das mulheres, diz Ariane Hegewisch, diretora do programa de emprego e renda do Instituto de Pesquisa de Políticas para Mulheres em Washington: "Parece que isso desacelera tanto avanços na carreira das mulheres quanto a participação na força de trabalho". Na Alemanha natal de Hegewisch, por exemplo, as mulheres podem tirar até três anos de licença por filho com remuneração parcial. Efetivamente, 73 por cento das mulheres alemãs voltam à força de trabalho. Mas cerca de metade delas acaba trabalhando em tempo parcial, ganhando menos e avançando mais lentamente, caso avance.

Na verdade, embora o Fórum Econômico Mundial coloque a Alemanha no 13º lugar geral em igualdade de gênero, em relação à participação econômica das mulheres o país fica em 57º, atrás de Moçambique e Bielorrússia. De forma geral, continua existindo uma visão conservadora em relação às mães que trabalham, que às vezes são chamadas criticamente de "mães-corvo".

Annette Storr, uma funcionária da área de assuntos públicos da UPS na Alemanha, tirou um ano e meio de licença após o nascimento de seu filho. Ela diz que foi tempo demais: "Perdi contatos em alguns projetos e minha rede havia mudado". Agora, ela está ajudando a UPS a montar um programa de orientação informal para que mulheres em licença-maternidade estabeleçam "um contato mais relaxado, porém regular, voluntariamente", diz Storr. "É o que eu gostaria para mim mesma."

Os maiores benefícios, tanto para a mãe quanto para a criança, se manifestam nos primeiros seis meses de licença, afirma Christopher Ruhm, professor de políticas públicas e economia da Universidade de Virginia. Períodos de afastamento mais longos não dariam certo nos EUA, pelo menos não agora, disse ele, observando que os europeus têm maior proteção do emprego, sindicatos mais fortes e um seguro de previdência social muito mais forte. "Temos instituições muito diferentes", disse ele. "Seria recomendável começar com cautela, com uma licença modesta, e depois avaliar."

Até mesmo com uma lei, continuará havendo uma barreira cultural. Em uma pesquisa com mais de 25.000 formados na Faculdade de Administração de Harvard, mulheres em campos como finanças e consultoria afirmaram que tirar uma licença de mais de seis meses as prejudicaria profissionalmente. "Chefes e colegas de trabalho tiram conclusões negativas sobre as mulheres e o comprometimento delas", disse Robin Ely, diretora da Iniciativa de Gênero da faculdade.

Atualmente, a Lei da Licença Médica e Familiar dos EUA possibilita que funcionários tirem até 12 semanas de licença não remunerada. Uma solução inicial seria remunerar esta licença, disse Ruhm, da Universidade de Virginia.

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